Vereadores vendidos, MP omisso e ônibus caindo aos pedaços: o retrato do caos em Rio Branco
Marcos Dione, do Notícia Imediata

Com a maioria dos vereadores vendida por cargos na Prefeitura e um Ministério Público inoperante, a população de Rio Branco segue pagando o preço alto de um sistema de transporte coletivo falido, perigoso e sem fiscalização.
Os ônibus velhos da Ricco Transportes, empresa trazida pelo prefeito Tião Bocalom (PL) sem licitação, se tornaram símbolo do abandono. A cada dia, novos relatos expõem a precariedade e o risco a que milhares de rio-branquenses estão submetidos. São veículos que quebram em quase todas as viagens, não conseguem subir ladeiras, pegam fogo e, mais recentemente, perdeu até o eixo em movimento na Via Chico Mendes, um episódio que deixou uma passageira ferida e poderia ter terminado em tragédia.
Mesmo diante de tantos absurdos, a empresa continua recebendo milhões de reais em subsídios da Prefeitura de Rio Branco, pagos com o dinheiro do contribuinte. O argumento do poder público é o de “garantir o funcionamento do transporte coletivo”, mas o que se vê nas ruas é exatamente o contrário: um serviço inseguro, ineficiente e humilhante para o cidadão.
As promessas do prefeito também se perderam no tempo. Bocalom anunciou que traria ônibus elétricos e abriria licitação para uma nova empresa, mas nada saiu do papel. Tudo não passa de mais um discurso vazio, enquanto a população segue arriscando a própria vida dentro de latas-velhas em movimento.
Rio Branco precisa de respeito e coragem política para enfrentar esse problema. Enquanto o poder público continuar protegendo empresas e negligenciando vidas, o transporte coletivo continuará sendo o retrato mais fiel da incompetência e do abandono que tomaram conta da capital acreana.
