Ulysses fala em ‘derrubar ditadura no Brasil’ ao mesmo tempo que pede que Justiça proíba Jornalista de citar seu nome

Redação Notícia Imediata

Ulysses fala em ‘derrubar ditadura no Brasil’ ao mesmo tempo que pede que Justiça proíba Jornalista de citar seu nome
Publicado em 03/01/2026 às 13:54

O deputado federal Coronel Ulysses (União Brasil) gerou repercussão recente ao utilizar suas redes sociais para proclamar a existência de uma suposta “ditadura” no Brasil que precisaria ser derrubada. A declaração surgiu em um contexto de exaltação a notícias sobre o cenário político da Venezuela, servindo de trampolim para que o parlamentar atacasse as instituições brasileiras. Ao classificar o atual governo e o sistema democrático nacional sob uma alcunha autoritária, Ulysses busca inflamar sua base eleitoral com uma retórica de resistência.

No entanto, a afirmação carece de lastro na realidade institucional do país. O Brasil vive sob a égide da Constituição de 1988, com poderes independentes, eleições periódicas auditadas e uma imprensa que atua livremente. A tentativa de rotular a democracia brasileira como ditadura é uma estratégia comum no populismo digital, que visa deslegitimar as instâncias de controle e o próprio Estado de Direito para justificar posturas extremistas.

A contradição do parlamentar torna-se evidente quando confrontada com suas próprias ações jurídicas. Enquanto prega a “liberdade” contra um regime opressor inexistente, o Coronel Ulysses acionou a Justiça para tentar silenciar o jornalista Marcos Dione. O pedido para que o profissional de imprensa seja proibido de citar seu nome na internet revela uma face autoritária que colide frontalmente com o discurso libertário pregado em suas redes sociais.

O uso de mecanismos judiciais para impedir que jornalistas mencionem figuras públicas é o que especialistas chamam de assédio judicial. Ao tentar apagar seu nome do debate público promovido pela imprensa, o deputado não apenas fere a liberdade de expressão, mas demonstra que sua concepção de “ditadura” é seletiva: ele combate uma opressão fictícia enquanto tenta exercer um controle real sobre o que a sociedade pode ler e saber a seu respeito.

A postura de Ulysses reflete um fenômeno perigoso na política contemporânea: a apropriação do conceito de liberdade para fins de cerceamento alheio. Para o parlamentar, a liberdade parece ser um direito exclusivo para atacar opositores; contudo, quando a lupa do jornalismo se volta para sua atuação, o remédio buscado é a mordaça. O caso Marcos Dione serve como um termômetro da saúde democrática e do respeito ao contraditório que o deputado afirma defender.

Em última análise, a narrativa de derrubar uma “ditadura” no Brasil soa vazia diante de pedidos de censura prévia. A verdadeira democracia se fortalece com a exposição ao escrutínio público e com o respeito à crítica jornalística, e não com tentativas de banir nomes de páginas da web. Enquanto o deputado foca em regimes vizinhos e conspirações internas, suas ações práticas no judiciário brasileiro dizem muito mais sobre sua visão de poder do que qualquer publicação de rede social.

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