Secretário de Assistência Social abandona Rio Branco em meio a alagação para caminhar pela liberdade de Bolsonaro

Redação Notícia Imediata

Secretário de Assistência Social abandona Rio Branco em meio a alagação para caminhar pela liberdade de Bolsonaro
Foto: Jardy Lopes/ac24horas
Publicado em 23/01/2026 às 12:08

Enquanto o Rio Acre ultrapassa a cota de transbordamento e ameaça centenas de famílias carentes, o comando da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SASDH) ficou vago. O titular da pasta, João Marcos Luz, decidiu deixar a capital acreana para acompanhar o deputado federal mineiro Nikolas Ferreira em uma agenda política fora do estado. O objetivo da viagem é participar da “Caminhada pela liberdade”, ato que pede a liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em um momento em que Rio Branco vive o drama de uma crise humanitária provocada pelas cheias.

O abandono do posto é visto como uma escolha administrativa irresponsável, visto que a SASDH é a pasta mais sensível durante desastres naturais. Cabe à secretaria coordenar a logística de abrigos, organizar doações e garantir o acolhimento emergencial de quem perdeu tudo para a água. Recebendo um salário mensal que se aproxima dos R$ 30 mil, o secretário optou por priorizar um ato de caráter ideológico e midiático, deixando a liderança das ações de socorro nas mãos de equipes técnicas que seguem trabalhando sem o comando do titular.

A trajetória pública de João Marcos Luz é marcada pela ausência de um currículo técnico ou administrativo sólido. Ex-vereador, ele se destacou no parlamento muito mais pela defesa incondicional do prefeito Tião Bocalom (PL) e por ataques agressivos à oposição do que por propostas estruturantes para a capital. Sua principal característica política, segundo observadores, é a substituição do diálogo por ataques frontais, postura que se reflete agora ao ignorar a gravidade do momento vivido por Rio Branco para focar em pautas externas.

Nos bastidores da política acreana, a avaliação é de que a viagem não passa de um movimento estratégico para as eleições de 2026. Ao buscar projeção nacional ao lado de figuras influentes na direita, o secretário sinaliza que sua ambição por cargos futuros sobrepõe-se à urgência do povo que está com as casas submersas. Para muitos, a atitude de virar as costas para as famílias desalojadas em troca de visibilidade em palanques pró-Bolsonaro revela uma fragilidade ética gritante na gestão da pasta.

A enchente do Rio Acre expõe não apenas a vulnerabilidade social da cidade, mas também o descaso de quem deveria estar na linha de frente. Enquanto o secretário caminha em outras regiões, moradores de áreas alagadas dependem da solidariedade e de abrigos improvisados para sobreviver. O episódio deixa claro que, para o atual gestor da Assistência Social, o palanque ideológico vale muito mais do que o compromisso de cuidar de quem mais precisa em Rio Branco.