Saiba como se proteger da MPOX; Brasil já registrou 57 casos neste ano

Redação Notícia Imediata

Saiba como se proteger da MPOX; Brasil já registrou 57 casos neste ano
Publicado em 24/02/2026 às 23:59

O Brasil iniciou o ano de 2026 com o registro de 57 casos de mpox até o final de fevereiro, conforme dados do Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde (Nies) e do Ministério da Saúde. O estado de São Paulo concentra a vasta maioria das notificações, com 50 registros, enquanto as demais ocorrências se espalham de forma isolada pelo Rio de Janeiro, Distrito Federal, Rondônia, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Apesar da concentração na capital paulista, as autoridades estaduais ressaltam que os números atuais são inferiores aos registrados no mesmo período de 2025, quando houve 126 casos nos dois primeiros meses.

A atenção das autoridades sanitárias está voltada para a circulação de variantes mais agressivas. Em São Paulo, dois casos foram identificados como pertencentes ao clado 1b, uma subvariante do clado 1, historicamente menos comum no território brasileiro e conhecida por sua maior virulência. Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta global após detectar, no Reino Unido e na Índia, uma nova cepa recombinante dos clados 1b e 2b, embora os pacientes monitorados não tenham apresentado quadros graves até o momento.

Especialistas explicam que a mpox, causada por um vírus do gênero orthopoxvirus, manifesta-se inicialmente com febre, dores no corpo e exaustão, evoluindo para lesões cutâneas características em diversas partes do corpo. De acordo com a infectologista Flávia Falci, o risco de complicações graves inclui manifestações neurológicas e oculares. O infectologista Dyemison Pinheiro destaca que, embora o clado 2b tenha sido o principal responsável pela disseminação global recente, o avanço do clado 1b exige vigilância redobrada, especialmente em populações com imunidade comprometida.

A transmissão da doença ocorre prioritariamente por meio do contato próximo entre pessoas, seja por lesões de pele, fluidos corporais ou gotículas respiratórias. Embora a transmissão sexual seja frequente, especialmente entre grupos com múltiplos parceiros, os médicos alertam que qualquer pessoa exposta ao contato direto com lesões ou objetos contaminados está em risco. Há também discussões científicas sobre a transmissão vertical (da gestante para o feto via placenta), reforçando que a proteção deve ser uma prioridade coletiva e não restrita a grupos específicos.

Para conter a disseminação, o Ministério da Saúde mantém a estratégia de vacinação direcionada a grupos prioritários, como pessoas que vivem com HIV/Aids com baixa contagem de células CD4, usuários de PrEP e profissionais de saúde expostos ao vírus. No entanto, especialistas apontam que a oferta de imunizantes ainda é insuficiente diante do aumento de casos suspeitos. Com a chegada do Carnaval, o estado de alerta é intensificado, uma vez que o maior contato físico característico das festividades pode impulsionar a curva de contágio.

Como medidas preventivas, recomenda-se evitar o contato pele a pele com pessoas que apresentem lesões ativas e manter uma higiene rigorosa das mãos. O Ministério da Saúde orienta que qualquer indivíduo com sintomas suspeitos procure imediatamente uma unidade do SUS para avaliação clínica e isolamento. A identificação precoce e o manejo adequado dos pacientes continuam sendo os pilares principais para evitar que as novas variantes, como a 1b, se estabeleçam de forma ampla na população brasileira.