Quebrando tabus: a história da única mulher coveira do Acre e o orgulho de seu filho

Redação Notícia Imediata

Quebrando tabus: a história da única mulher coveira do Acre e o orgulho de seu filho
Foto: Anne Nascimento
Publicado em 25/01/2026 às 19:38

A trajetória de Joseline Lima rompe barreiras e redefine o olhar sobre o fim da vida. Há 15 anos, ela atua no Cemitério São João Batista, em Rio Branco, ocupando um posto singular: é a única mulher a exercer a função de coveira em todo o estado do Acre. Aprovada em um concurso público em 2010, Joseline transformou uma escolha movida pela curiosidade em uma missão de vida carregada de orgulho e representatividade.

A decisão pelo ofício não foi comum, mas para ela, fez todo o sentido desde o início. Eu vi que era muito diferente e me chamou muita atenção. E aí eu decidi fazer e, graças a Deus, hoje eu estou aqui, né?”, enfatizou Joseline à reportagem. Para ela, o trabalho no campo santo vai além do esforço físico; trata-se de um serviço essencial prestado com respeito e seriedade.

Essa rotina, muitas vezes vista com temor pela sociedade, é encarada com naturalidade pelo seu filho Cauã, de 13 anos. O adolescente costuma visitar o local de trabalho da mãe e, ao contrário do que muitos poderiam imaginar, demonstra um interesse genuíno pela profissão. Joseline relata, com satisfação, que o jovem caminha pelo cemitério com confiança e já projeta o seu futuro.

Segundo a mãe, a admiração do filho é o que mais a motiva. “[Ele] diz que o sonho dele é ser coveiro e seguir que nem a mãe dele. O sonho dele, repetiu, orgulhosa. Quando questionada sobre o que levaria um jovem a se interessar por tal cargo, ela é direta na percepção do filho: Ele acha bonito”, afirmou.

Para Joseline, que é mãe solo de três crianças, envolver o filho em seu universo profissional é uma forma de educar para a vida e para a responsabilidade. “É muito importante ensinar alguma coisa ao filho, mesmo que apenas observando. Óbvio que ele não vai trabalhar, mas ele vai estar acompanhando, né, a mãe. Ainda mais eu, que sou mãe solo, explicou a profissional.

A convivência de Cauã com o ambiente do cemitério moldou uma visão de mundo focada no esforço e no crescimento pessoal, longe de preconceitos. “Ele cresceu muito aqui dentro, nesse ambiente, né? Que é um ambiente estranho para muitos, mas ele não vai ter a visão voltada para o mundo lá fora, mas sim de trabalhar, de crescer, de querer ser alguém”, finalizou Joseline.

A história de Joseline e Cauã lembra que o ser humano é feito de rituais e que a dignidade deve estar presente do nascimento ao sepultamento. Enquanto muitos evitam pensar no fim, Joseline encara a morte diariamente, não de forma bizarra, mas com a reverência de quem sabe que cuidar do repouso final de alguém é, acima de tudo, um ato de humanidade.

A presença da única coveira do Acre no São João Batista é um testemunho de que não existem fronteiras para o trabalho feminino. Entre lápides e silêncio, ela ensina ao filho, e à sociedade, que todo ofício é digno quando exercido com amor e que o respeito pelo fim é uma das mais profundas formas de celebrar a vida.

Com informações do site ContilNet

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