Quando o “Tô Bem” vira resposta automática para não ter que abrir o caos
Enrico Pierro

O problema do “tô bem” é que ele virou meu uniforme emocional. Eu o utilizo para tudo: para quando estou realmente bem, para quando estou péssimo, para quando acordei sem saber que dia é hoje, e até para quando estou apenas existindo como um software travado. O “tô bem” virou meu ctrl+c / ctrl+v social. Explicar o que estou sentindo dá muito trabalho e, sinceramente? Às vezes, nem eu sei.
O labirinto mental
Quando alguém me pergunta “como você tá?”, meu cérebro abre umas 42 pastas de problemas ao mesmo tempo. Existem pastas chamadas:
- “Não era para eu estar vivendo isso”;
- “Como resolvo isso sem surtar”;
- “Não quero falar sobre isso porque posso chorar ou posso bater em alguém” (depende do humor).
Mas o que eu digo? “Tô bem”. Curto. Eficiente. Compatível com uma bateria emocional em 3%.
A etiqueta do silêncio
A verdade é que ninguém quer realmente ouvir o verdadeiro “como eu tô”. Se respondo honestamente, o ambiente fica pesado. O ar muda. A pessoa pisca três vezes tentando achar uma frase motivacional no “Google mental” dela. Eu poupo todo mundo — inclusive eu. Então, o “tô bem” funciona como aquele filtro de Instagram: não resolve nada, mas deixa apresentável.
O mais curioso é que, ao dizer essas duas palavras, sempre há um microssegundo em que penso: “será que um dia eu vou estar mesmo?”. Não no sentido dramático, mas naquele jeito adulto de quem já entendeu que estar bem é tipo internet de hotel: existe, mas não funciona direito.
Sobrevivência e Caos
E aí eu sigo. Com meu caos organizado, meu emocional cheio de abas abertas, minha fé tentando equilibrar a vida e meu humor servindo de colete à prova de frustração.
No fim, dizer que estou bem é apenas o meu jeito de dizer: estou aqui, tá? Sobrevivendo. E, nos dias de hoje, isso já é quase uma vitória olímpica.
Por: @enricopierroofc
