’Pensa num prefeito feliz’, diz Bocalom ao anunciar brinquedos enquanto Rio Branco submerge na lama após chuva

Redação Notícia Imediata

’Pensa num prefeito feliz’, diz Bocalom ao anunciar brinquedos enquanto Rio Branco submerge na lama após chuva
Publicado em 17/12/2025 às 13:47

“Pensa num prefeito feliz”, declarou Tião Bocalom (PL) na manhã desta quarta-feira (17), enquanto o cenário fora dos gabinetes era’ de puro desespero para centenas de famílias em Rio Branco. A frase, dita durante o lançamento de uma ação de distribuição de brinquedos, ignora a lama que invade as salas e o esgoto que transborda para dentro das cozinhas na capital acreana. Enquanto o gestor celebrava, a realidade nas ruas revelava o fracasso histórico do saneamento básico, com bairros inteiros submersos por falta de escoamento e infraestrutura mínima.

Na região da Baixada da Sobral, o descaso da prefeitura com as galerias pluviais e o sistema de esgoto ficou evidente quando ruas inteiras se transformaram em rios de detritos. A ausência de um plano eficaz de saneamento condena a população ao ciclo eterno de perder móveis e eletrodomésticos a cada chuva forte. É um contraste violento: de um lado, a euforia política com pacotes de presente; de outro, o cidadão com o rodo na mão, tentando retirar a água fétida que a omissão pública permitiu entrar em seu lar.

Diante desse cenário, surge o questionamento ético inevitável sobre as prioridades da gestão municipal. É realmente correto e humano focar na entrega de brinquedos para crianças que, rotineiramente, acordam com a casa alagada e perdem seus poucos pertences para a enxurrada? O entretenimento momentâneo de um presente não apaga o trauma de uma infância vivida entre a lama e o medo de perder o teto, evidenciando uma política de assistência que prefere o paliativo visual ao invés da solução definitiva de engenharia e dignidade.

A postura do prefeito ao se dizer “feliz” em um dia de calamidade pública demonstra uma desconexão profunda com a dor de quem governa. Para os pais de família da Baixada, que viram o esforço de meses de trabalho ser destruído pela água em poucos minutos, a alegria do mandatário soa como deboche. A prefeitura parece acreditar que a caridade sazonal pode compensar a falta de investimentos em drenagem urbana, tratando como festa o que deveria ser um momento de mobilização total das equipes de infraestrutura e assistência emergencial.

Encerrar o dia com a propaganda de um “Natal Criança Feliz” enquanto o povo ainda limpa o barro de dentro de casa é a prova final de um governo que privilegia a imagem em detrimento da segurança básica. A felicidade de Bocalom não alcança quem está ilhado ou quem contrai doenças pelo contato com a água contaminada que o saneamento inexistente não conteve. No fim, fica a lição de que brinquedo nenhum substitui o direito fundamental de dormir em uma casa seca e segura, livre da negligência que se repete a cada estação de chuvas.