Pelo 2º ano, Márcio Bittar é o senador do Acre que mais gasta verba pública com publicidade e autopromoção

Marcos Dione, do Notícia Imediata

Pelo 2º ano, Márcio Bittar é o senador do Acre que mais gasta verba pública com publicidade e autopromoção
Publicado em 27/01/2026 às 8:46

Pelo segundo ano consecutivo, o senador Márcio Bittar (PL) consolida-se como o parlamentar da bancada acreana que mais consome recursos públicos no Senado Federal. O levantamento detalhado das contas de 2024 e 2025 revela um padrão de gastos elevados que isola o senador no topo do ranking, com um foco agressivo em publicidade e na manutenção de uma estrutura de gabinete onerosa ao erário.

Em 2025, Bittar atingiu a marca recorde de R$ 852.246,16 em despesas totais. O grande motor desse montante foi a autopromoção: o senador destinou mais de R$ 281 mil apenas para publicidade, somando a divulgação da atividade parlamentar (R$ 256,8 mil) e o impulsionamento de conteúdos em redes sociais (R$ 24,8 mil). Esse investimento em imagem supera com folga os gastos totais de seus colegas Alan Rick e Sérgio Petecão na mesma categoria.

A liderança de Bittar no “ranking da despesa” não é novidade. Em 2024, ele já ocupava o posto de senador mais caro do Acre, fechando aquele ano com um gasto de R$ 647.933,13 (considerando a cota de R$ 521,2 mil e os gastos extras de R$ 126,6 mil). Naquele período, a estratégia já era clara, com R$ 194,4 mil gastos em divulgação e outros R$ 39 mil apenas para turbinar suas mídias sociais, evidenciando que a prioridade do mandato tem sido a visibilidade em massa.

Ao comparar os dois anos, percebe-se um crescimento real na estrutura de custos do parlamentar. Se em 2024 o apoio ao gabinete custou R$ 254 mil, em 2025 Bittar manteve o pé no acelerador, gastando R$ 227 mil com serviços de apoio e elevando drasticamente os gastos com logística, como passagens aéreas e correios, que juntos ultrapassaram a casa dos R$ 180 mil no último ano.

Enquanto Alan Rick (Republicanos) e Sérgio Petecão (PSD) mantiveram seus gastos na casa dos R$ 600 mil em 2025, Bittar rompeu a barreira dos R$ 850 mil. A diferença de quase R$ 185 mil para o segundo colocado na bancada reforça que o estilo de atuação do senador paulista, eleito pelo Acre, exige um esforço financeiro do contribuinte muito superior ao de seus pares.

Somando o biênio 2024-2025, Márcio Bittar já consumiu mais de R$ 1,5 milhão em verbas de gabinete e despesas extras. O valor astronômico é um reflexo direto de uma gestão que não economiza em autopromoção, transformando a cota parlamentar em uma poderosa ferramenta de marketing político contínuo, enquanto os outros senadores focam em despesas mais voltadas à logística e bases eleitorais.

O cenário final aponta para uma concentração de gastos que desafia o conceito de economicidade na gestão pública. Com a liderança isolada pelo segundo ano seguido, Bittar torna-se o símbolo de um mandato de alto custo, onde a divulgação da imagem pessoal consome fatias do orçamento que poderiam, em tese, ser geridas de forma mais austera, seguindo o exemplo de seus colegas de bancada.

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