Papai Noel azul volta a gerar controvérsia em Rio Branco; gestão Bocalom insiste em estética que quebra tradição natalina
Redação Notícia Imediata

A decisão da Prefeitura de Rio Branco de usar novamente um Papai Noel azul na decoração natalina reacendeu uma polêmica que acompanha a gestão do prefeito Tião Bocalom (PL) desde o início de seu primeiro mandato. A escolha, que contraria a iconografia tradicional do Natal, provocou críticas de moradores e levantou especulações sobre motivação estética e simbólica.
A prefeitura confirmou que o personagem azul voltará a compor a programação natalina da cidade. Em vistoria recente, o vice-prefeito Benício Moreira afirmou: “Vai ter Papai Noel azul. Nosso Papai continua azul, mas vai ter vermelho também para ninguém reclamar” — declaração registrada em reportagem sobre os preparativos do evento.
No ano anterior, durante a inauguração das luzes de Natal, a prefeitura já havia anunciado a presença de um “Papai Noel azul e neve artificial”, reforçando que o personagem colorido era uma escolha deliberada da gestão.
Moradores criticam estética e quebra de tradição
A repercussão nas redes sociais e em espaços públicos foi imediata. Parte da população considera a escolha “brega” e desalinhada com o imaginário natalino, cuja paleta clássica. vermelho, verde e dourado, é amplamente reconhecida e esperada.
Para muitos moradores, trocar o vermelho tradicional do Papai Noel por azul fere a nostalgia e a simbologia afetiva do período. “Natal não é azul”, comentou uma moradora, sintetizando o tom dominante entre os críticos.
A presença simultânea de um Papai Noel azul e outro vermelho, anunciada pela própria gestão, indica que a prefeitura tem tentado mitigar a rejeição popular sem abandonar a estética que adota desde os primeiros anos de governo.
Leituras políticas surgem, apesar de não haver confirmação de motivação partidária
Embora não exista declaração oficial de que haja motivação política na escolha do azul, parte da população interpreta a cor como uma marca visual alinhada ao ambiente político local. Em um cenário de forte polarização, símbolos visuais, ainda que em um contexto lúdico, ganham interpretações amplificadas.
Especialistas em comunicação visual destacam que cores aplicadas a figuras tão emblemáticas quanto o Papai Noel possuem peso cultural significativo. A mudança, mesmo que pensada como inovação, pode ser lida como sinalização simbólica.
Decoração reforça busca por identidade própria, mas gera divisão
A prefeitura de Rio Branco tem investido em diferentes elementos para modernizar o Natal da cidade, incluindo shows de luzes, neve artificial e estruturas cenográficas. Esse conjunto busca criar uma “marca” própria para as celebrações, intenção evidente nas ações oficiais registradas pela gestão.
Entretanto, a insistência no uso do azul, especialmente aplicado ao Papai Noel, tem ampliado o contraste entre inovação estética e o desejo popular por preservação das tradições. Para críticos, a prefeitura corre o risco de transformar o Natal em uma “campanha visual”, e não em uma celebração coletiva.
Tradição, estética e política: uma disputa simbólica no Natal
O Natal é, por natureza, uma festa carregada de memória afetiva. Ao alterar suas cores fundamentais, a prefeitura abre espaço para discussões sobre identidade, pertencimento e simbolismo no espaço público. Para alguns, a inovação é bem-vinda. Para muitos outros, rompe um pacto cultural que dá sentido às celebrações.
Com a confirmação oficial de que o Papai Noel azul continua no centro da decoração, a gestão Bocalom mantém uma marca visual característica, mas também uma polêmica que se renova a cada dezembro, dividindo opiniões e acendendo debates sobre estética e comunicação pública em Rio Branco.
