No Quinari, prefeita Rosana Gomes sob risco de prisão por suposto assédio eleitoral em favor do filho
Marcos Dione, do Notícia Imediata

A prefeita de Senador Guiomard, Rosana Gomes, enfrenta um cenário político e jurídico cada vez mais conturbado. Além do desafio de viabilizar a candidatura do filho, Paulo Eduardo Gomes, para uma vaga na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), a gestora agora está sob os holofotes devido a graves denúncias de assédio eleitoral. O caso, que começa a ganhar corpo nos bastidores da “Capital do Amendoim”, pode resultar em implicações criminais severas para a chefe do Executivo municipal.
Informações que circulam na região indicam que Paulo Eduardo Gomes já está sendo apresentado formalmente como o candidato oficial do grupo político da mãe. No entanto, o que deveria ser uma articulação democrática teria se transformado, segundo relatos, em uma ferramenta de coerção dentro da máquina pública. A estratégia de promoção do herdeiro político estaria ultrapassando os limites da legalidade, gerando desconforto e medo entre os servidores municipais.
O ponto mais crítico das denúncias aponta para uma suposta política de retaliação contra aqueles que não demonstrarem apoio irrestrito à candidatura de Paulo Eduardo. Servidores da prefeitura de Senador Guiomard relatam, sob condição de anonimato, que circula um ultimato claro nos corredores do poder: quem não votar ou não se engajar na campanha do filho da prefeita corre o risco iminente de perder o emprego. A ameaça de exoneração estaria sendo usada como moeda de troca para garantir votos.
Vale destacar que a influência política da família Gomes não se restringe ao Acre. Rosana Gomes possui outro filho, Otávio, que já exerce carreira política no interior de São Paulo, consolidando a tradição da família em ocupar cargos eletivos em diferentes regiões do país. No entanto, o método utilizado para tentar emplacar Paulo Eduardo no cenário acreano pode comprometer o legado da matriarca e atrair a atenção rigorosa do Ministério Público Eleitoral.
O assédio eleitoral é considerado uma prática abusiva que fere diretamente a liberdade de voto e o princípio da impessoalidade na administração pública. Juristas alertam que a utilização do cargo público para constranger subordinados a votar em determinados candidatos configura crime eleitoral e improbidade administrativa. Caso as investigações confirmem as denúncias de “voto ou demissão”, a prefeita Rosana Gomes poderá enfrentar não apenas a perda do mandato, mas também uma condenação que prevê pena de prisão.
Enquanto a campanha se aproxima, a gestão de Senador Guiomard permanece sob vigilância. O desfecho dessa crise poderá definir não apenas o futuro político de Paulo Eduardo Gomes, mas também servir como um marco no combate ao coronelismo no ambiente público estadual. Até o momento, a prefeitura não se manifestou oficialmente sobre as acusações, mas o clima de tensão entre os trabalhadores da municipalidade é evidente e deve pautar os próximos capítulos da disputa eleitoral no Quinari.
