No Acre, motorista bêbado que atropelou e matou mãe e filho é condenado a irrisórios cinco anos de prisão
Redação Notícia Imediata

A condenação de Florisvaldo Ribeiro dos Santos pela tragédia que vitimou Natasha Caroline Souza Gomes, de 25 anos, e seu filho Isaac, de 8 anos, traz à tona uma profunda indignação sobre a proporcionalidade das penas em crimes de trânsito no Brasil. Mesmo diante de provas irrefutáveis de que o caminhoneiro dirigia embriagado e em alta velocidade, a sentença fixada pela 3ª Vara Criminal do Acre foi de apenas 5 anos e 5 meses de prisão. O desfecho levanta questionamentos sobre a sensação de impunidade que paira sobre casos de extrema gravidade.
O que torna a punição visivelmente irrisória são as circunstâncias do crime, ocorridas na rodovia AC-40 em fevereiro de 2024. O laudo pericial confirmou que o motorista trafegava a 86 km/h em um trecho onde o limite era de 60 km/h. Mais grave ainda foi o teste de alcoolemia, que registrou 0,95 mg de álcool por litro de ar alveolar — um índice alarmante que demonstra total desprezo pela vida humana e pelas leis de trânsito vigentes.
Apesar da brutalidade do impacto que matou a criança no local e levou a mãe ao óbito pouco depois, a Justiça determinou que a pena seja cumprida em regime semiaberto. Na prática, isso significa que o condenado terá o direito de trabalhar fora da unidade prisional durante o dia, retornando apenas para dormir. Para as famílias das vítimas, que perderam duas gerações de uma só vez, a concessão de um regime tão brando soa como uma afronta à memória dos falecidos.
Durante o processo, o réu tentou justificar o injustificável, alegando que o sol ofuscou sua visão e que tentava desviar de uma motocicleta. Tais argumentos, no entanto, não apagam o fato de que ele escolheu assumir o risco ao beber e acelerar um veículo de carga. A suspensão da CNH por cinco anos, embora necessária, parece um detalhe administrativo menor diante da irreversibilidade da perda causada por sua conduta irresponsável.
Agora, enquanto a defesa já recorre da decisão para tentar reduzir ainda mais a sentença, o caso segue para a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre. O desfecho desta etapa será um teste para o judiciário acreano: manter uma pena que muitos consideram meramente simbólica ou dar uma resposta mais contundente a um crime que interrompeu duas vidas de forma tão violenta e evitável.
