Ministério Público pede abertura de inquérito após falas preconceituosas de Assúria Mesquita contra acreanos
Marcos Dione, do Notícia Imediata

O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por meio da Promotoria Especializada de Defesa dos Direitos Humanos e da Cidadania, instaurou uma notícia de fato criminal e requisitou à Polícia Civil a abertura de inquérito para investigar os comentários discriminatórios feitos pela estudante de Medicina Assúria Mesquita, de 20 anos, nas redes sociais. A jovem é filha do atual secretário de Indústria, Ciência e Tecnologia do Acre, Assurbanípal Mesquita.
As postagens de Assúria na rede social “X” (antigo Twitter), onde ela afirmou sentir “asco dos acreanos” e classificou o povo do estado como “seboso e ignorante”, geraram revolta na população e repercutiram fortemente na imprensa local e nacional. A conduta da estudante foi amplamente criticada, incluindo por entidades da área médica, como o Sindicato dos Médicos do Acre (Sindmed-AC), que classificou as falas como ofensivas e pediu punição exemplar.
De acordo com o MPAC, as declarações podem ser enquadradas como crime de racismo, com base na Lei nº 9.459/97, que prevê penalidades para atos de discriminação ou preconceito por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. O entendimento segue jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que reconhece como racismo manifestações que ofendem brasileiros com base em sua origem regional.
“O objetivo da instauração do inquérito policial é apurar quais foram as circunstâncias que essa pessoa praticou esses xingamentos contra os acreanos, e quais foram as motivações, as circunstâncias e as condições que ela praticou a fala, além de apurar se configura crime de xenofobia”, destacou o promotor de Justiça Thalles Ferreira.
A Promotoria solicitou que o inquérito seja instaurado em um prazo improrrogável de até dez dias.
Diante da repercussão, Assúria Mesquita usou as redes sociais para pedir desculpas públicas. Em nota, afirmou estar arrependida e disse que não teve a intenção de ofender. “Sou profundamente grata por ser acreana”, declarou a estudante, reconhecendo que suas palavras foram equivocadas.
O pai da jovem, o secretário Assurbanípal Mesquita, também veio a público pedir perdão e afirmou que a família não compactua com as falas da filha e que a situação foi tratada com seriedade. “Conversamos longamente com ela, que está verdadeiramente arrependida”, disse.
O caso segue sendo acompanhado por autoridades e pode levar a consequências disciplinares, tanto na esfera judicial quanto dentro da Universidade Federal do Acre (Ufac), onde a estudante está matriculada no curso de Medicina.
