Milionário e dono de 4 fazendas, deputado Eduardo Velloso é alvo da PF por suposto desvio de verbas públicas
Redação Notícia Imediata

O avanço da Operação Graco sobre o deputado federal Dr. Eduardo Velloso (União-AC) expõe uma contradição latente na política acreana: a de um parlamentar que desfruta de uma vida de magnata enquanto é investigado por supostamente usurpar recursos públicos. Membro de uma das famílias mais influentes do estado, os Velloso são proprietários do Hospital Oftalmológico do Acre (HOA), referência em saúde privada, e detêm um vasto império rural. O envolvimento de um político com tal suporte financeiro em desvios de “emendas Pix” levanta um debate ético sobre a insaciabilidade pelo poder e pelo dinheiro da União.
Nas últimas eleições, Eduardo Velloso declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um patrimônio milionário, que ultrapassa os R$ 8,7 milhões. Entre os bens que compõem sua fortuna, destacam-se quatro fazendas, evidenciando sua força no agronegócio, além de veículos de luxo e participações societárias. A investigação da Polícia Federal, que apura o suposto desvio de quase R$ 1 milhão destinados a shows em Sena Madureira, choca justamente por recair sobre alguém que, tecnicamente, não possui necessidade financeira para flertar com a ilegalidade.
A Operação Graco não mira apenas o suposto desvio pontual, mas o modus operandi de políticos de direita que, sob o manto do conservadorismo e da defesa da propriedade privada, acabam sob suspeita de crimes contra a administração pública. A PF apreendeu três veículos de luxo e R$ 15 mil em espécie nos endereços do deputado, um cenário de ostentação que contrasta com a origem dos recursos investigados: verbas que deveriam fomentar a cultura e a economia local, mas que teriam retornado de forma ilícita para o bolso dos envolvidos.
Além do império agrário, a ligação da família com o setor hospitalar também está sob o microscópio. Recentemente, auditorias da CGU apontaram que o hospital da família teria recebido recursos de emendas para cirurgias com valores faturados em até 1.800% acima da tabela do SUS. Essa simbiose entre o mandato parlamentar e os negócios privados da família Velloso sugere um conflito de interesses onde o bem comum parece ser preterido em favor da expansão de um patrimônio que já é colossal.
Para o eleitorado, a imagem de Dr. Eduardo Velloso como um “médico bem-sucedido” e “homem do campo” sofre um abalo sísmico. A acusação de associação criminosa, lavagem de dinheiro e fraude em licitação pinta o retrato de um político que utiliza sua posição para extrair ainda mais do Estado. O fato de possuir quatro fazendas e uma clínica de elite não parece ter sido suficiente para barrar a tentação de manipular verbas federais, reforçando a percepção de uma elite política que vê o erário como extensão de suas próprias contas bancárias.
A defesa do parlamentar tenta blindá-lo, transferindo a responsabilidade da aplicação do dinheiro para a prefeitura de Sena Madureira. No entanto, o histórico de articulação de emendas destinadas a setores onde sua família atua dificulta a aceitação dessa narrativa de “isenção”. O caso agora corre no Supremo Tribunal Federal (STF), onde os investigadores tentam fechar o cerco sobre como um milionário, que já tem o sustento de gerações garantido, acabou se tornando alvo da PF por suposta usurpação de dinheiro público.
