Medo e crise: criminalidade e falta de dinheiro afastam público da Gameleira mesmo com visual atraente

Redação Notícia Imediata

Medo e crise: criminalidade e falta de dinheiro afastam público da Gameleira mesmo com visual atraente
Publicado em 22/01/2026 às 21:20

Mesmo com o Rio Acre apresentando um nível elevado e compondo um cenário visualmente atraente para os visitantes, a histórica Orla da Gameleira, em Rio Branco, vive dias de calmaria atípica. O que antes era o ponto de encontro preferido de famílias e turistas, agora exibe um vazio preocupante, com pouquíssimas pessoas circulando pelo calçadão. O contraste entre a beleza natural da cheia e a ausência de público evidencia uma crise que vai além do entretenimento.

A principal barreira apontada para o baixo movimento é a crise financeira que atinge boa parte das famílias acreanas. Com o custo de vida elevado e o orçamento doméstico apertado, o lazer fora de casa acabou se tornando um artigo de luxo. Consumir nos quiosques ou até mesmo arcar com o deslocamento até o Segundo Distrito deixou de ser prioridade, esvaziando um dos cartões-postais mais simbólicos da capital.

Somado ao fator econômico, o medo da criminalidade tem sido um divisor de águas na decisão da população em frequentar o local. Relatos de furtos e a sensação de insegurança em áreas abertas afastam quem busca um momento de tranquilidade. A falta de um policiamento ostensivo e constante na região contribui para que o cidadão se sinta vulnerável, preferindo o isolamento doméstico ou locais privados em vez do espaço público.

Comerciantes da região sentem diretamente o impacto no bolso e relatam uma queda drástica no faturamento. Muitos esperavam que o cenário do rio cheio pudesse impulsionar as vendas, mas a realidade tem sido de mesas vazias e estoque parado. A falta de investimentos em programação cultural e melhorias na infraestrutura da orla também colabora para que o local perca seu poder de atração diante de novos centros de convivência.

O esvaziamento da Gameleira serve como um alerta para as autoridades sobre a necessidade urgente de revitalização e segurança. Para que o turismo local volte a pulsar, não basta apenas o cenário natural; é preciso garantir que a população tenha condições econômicas de consumir e, acima de tudo, sinta-se segura para ocupar os espaços da cidade. Sem essas garantias, a beleza do Rio Acre continuará sendo apreciada por poucos.

Tópicos