Márcio Bittar repete tática de Jorge Viana e assim como ele pode acabar não retornando ao Senado
Marcos Dione, do Notícia Imediata

O senador Márcio Bittar (PL-AC) está repetindo um erro estratégico que custou caro a adversários históricos. Nossa análise sugere que Bittar vem cometendo um equívoco político semelhante ao do ex-senador e atual presidente da ApexBrasil, Jorge Viana (PT).
A comparação remete ao ano de 2018, quando Jorge Viana, então favorito à reeleição ao Senado, optou por concentrar grande parte de seus esforços e capital político na defesa incondicional de Luiz Inácio Lula da Silva, que se encontrava preso à época. Essa priorização da agenda nacional em detrimento das demandas locais e da articulação política direta é apontada como um fator que contribuiu para sua derrota naquele pleito.
Atualmente, o cenário parece se inverter, mas com a mesma lógica de “defesa ferrenha”. Em vez de focar integralmente na construção política e nas pautas legislativas que impactam o Acre, Bittar tem dedicado energia considerável à defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado e preso. O senador frequentemente critica o governo Lula e o Judiciário, mantendo uma postura de enfrentamento que ecoa a lealdade demonstrada por Viana no passado.
A história recente serve como um alerta claro: a dedicação excessiva a figuras nacionais pode distanciar o parlamentar das bases que o elegeram. Nas eleições de 2018, foi justamente Márcio Bittar quem derrotou Jorge Viana, ocupando o espaço deixado pela estratégia focada no “Lula Livre”. Agora, o próprio Bittar trilha um caminho parecido, o que levanta questionamentos sobre sua viabilidade em futuras disputas.
Pesquisas recentes para o Senado em 2026 já mostram um cenário acirrado, onde Bittar aparece empatado tecnicamente com o próprio Jorge Viana em alguns levantamentos, ambos atrás do governador Gladson Cameli. Esse equilíbrio reforça a ideia de que a polarização e a defesa de líderes externos podem não ser suficientes para garantir a liderança isolada que o senador desfrutava.
Em suma, a política é feita de presença e resultados locais. Ao se tornar um escudo para líderes nacionais, o parlamentar corre o risco de ser tragado pelas mesmas crises que seus protegidos enfrentam, negligenciando a construção de um legado próprio que o sustente independentemente das marés de Brasília.
