Mais um líder da Assembleia de Deus é condenado a 11 anos de prisão por abusos e extorsão no Acre
Marcos Dione, do Notícia Imediata

A Justiça do Acre condenou o pastor Sinval Ferreira, de 42 anos, liderança da Igreja Assembleia de Deus, a uma pena de 11 anos e 3 meses de reclusão. A sentença é resultado de uma investigação que comprovou a prática dos crimes de violação sexual mediante fraude e extorsão contra fiéis. A decisão destaca que o réu utilizava sua posição hierárquica e autoridade religiosa para manipular as vítimas e obter vantagens ilícitas.
Segundo o processo judicial, o líder religioso valia-se da fé dos membros da congregação para mascarar os abusos. Sinval apresentava os atos de violência sexual como rituais espirituais indispensáveis, alegando que as práticas seriam necessárias para “unções especiais”, curas de enfermidades ou para a suposta quebra de maldições que afligiam os fiéis e seus familiares.
As investigações apontaram que o pastor exercia um forte controle emocional sobre as vítimas, que, confiando em sua liderança na Assembleia de Deus, acabavam submetidas a exigências financeiras e físicas. O Judiciário entendeu que o réu transformou o ambiente de culto em um cenário de exploração, ferindo gravemente a liberdade e a dignidade daqueles que buscavam amparo espiritual.
Os autos do processo registram relatos estarrecedores de condutas extremas. Em certos episódios, Sinval afirmava que determinados atos corporais eram a única via para a cura de problemas graves de saúde. Para a Justiça, tais ações configuraram uma clara fraude, uma vez que o pastor utilizava o temor religioso e a vulnerabilidade emocional para coagir as vítimas ao silêncio e à obediência.
Além dos abusos de ordem sexual, a condenação abrange o crime de extorsão. O líder da Assembleia de Deus foi acusado de exigir pagamentos em dinheiro sob o pretexto de realizar trabalhos espirituais, lucrando diretamente sobre a angústia dos fiéis. A investigação demonstrou que esses crimes não eram fatos isolados, mas ocorriam de forma sistemática e repetida.
Na sentença, o magistrado reforçou que a liberdade de culto e as práticas religiosas não podem, sob hipótese alguma, servir de salvo-conduto para a violência, a coerção ou a exploração financeira. A decisão sublinhou a gravidade dos danos psicológicos causados às vítimas, que tiveram sua fé e confiança traídas por quem deveria zelar pelo bem-estar da comunidade.
Com a condenação em primeira instância, o caso serve como um alerta sobre o uso de estruturas religiosas para o cometimento de delitos. A Polícia Civil e o Ministério Público continuam acompanhando os desdobramentos, enquanto a defesa do pastor ainda pode recorrer da decisão, embora a sentença tenha sido fundamentada em provas robustas e relatos detalhados das vítimas.
