Mais da metade dos ônibus velhos que circulam em Rio Branco nem são da Ricco, denuncia advogado
Redação Notícia Imediata

Uma nova denúncia apresentada pelo advogado Renato Tavares, representante do sindicato dos trabalhadores do setor de transportes (SINTTPAC), trouxe à tona a precariedade do sistema de mobilidade na capital. Segundo o advogado, mais da metade dos ônibus sucateados que circulam em Rio Branco sequer pertencem à Ricco Transportes, empresa que atualmente detém a operação do serviço. A revelação surge em um momento crítico, onde a eficácia da gestão privada sobre o bem público é colocada sob forte suspeita.
O cenário torna-se ainda mais alarmante quando confrontado com os vultosos investimentos repassados pela administração municipal. De acordo com denúncias anteriores, a Ricco Transportes já teria recebido aproximadamente R$ 200 milhões em recursos públicos através de sucessivos contratos emergenciais firmados com a Prefeitura. Apesar do montante expressivo, a qualidade do serviço oferecido à população não reflete o valor investido, mantendo usuários e trabalhadores em uma situação de vulnerabilidade constante.
Somado à frota obsoleta, a empresa enfrenta um histórico de negligência com seus colaboradores. A transportadora é frequentemente denunciada por atrasos salariais crônicos e pelo não recolhimento de encargos trabalhistas essenciais, como FGTS e previdência. Esse descaso resultou em medidas judiciais severas, incluindo o bloqueio de bens para garantir que o patrimônio da empresa não seja dissipado antes da quitação das dívidas com os funcionários, que são o elo mais fraco da operação.
Refletindo sobre a gravidade da situação e o impacto social do sucateamento do transporte, Renato Tavares enfatizou a necessidade de encarar o problema além dos números. Em suas palavras: “Não é só sobre gestão. É sobre dignidade, respeito e responsabilidade com a população. Isso não pode ser normalizado”. A frase ecoa o sentimento de indignação de uma cidade que paga por um serviço que falha em entregar o básico: segurança e continuidade.
O caso da carreta interceptada com peças de alto valor na última terça-feira (28) é visto como um desdobramento direto dessa crise de confiança. A tentativa de retirar componentes valiosos do estado, contornando rotas principais, reforça a tese de que a empresa busca descapitalizar-se diante das pressões judiciais. Agora, as autoridades buscam entender como uma operação que recebeu centenas de milhões de reais chegou a um ponto de insolvência que compromete o direito de ir e vir dos cidadãos rio-branquenses.
