Justiça marca audiência de instrução para PMs acusados de matar enfermeira após perseguição no Acre

Redação Notícia Imediata

Justiça marca audiência de instrução para PMs acusados de matar enfermeira após perseguição no Acre
Foto: Arquivo pessoal
Publicado em 11/04/2025 às 11:07

Os policiais militares Gleyson Costa de Souza e Cleonizio Marques Vilas Boas devem passar por audiência de instrução na próxima segunda-feira (14), conforme decisão do juiz Romário Divino Faria, da Comarca de Senador Guiomard, interior do Acre. Eles respondem por homicídio duplamente qualificado e fraude processual após atirarem contra a enfermeira Géssica Melo de Oliveira, de 32 anos, que morreu após furar um bloqueio policial em Capixaba, no dia 2 de dezembro de 2023.

Durante a fase de instrução do processo, a Justiça negou diversos pedidos apresentados pela defesa dos acusados. Entre eles, a reprodução simulada dos fatos, o oficiamento ao Detran, a apreensão de armas de fogo e livros de cautela, além da solicitação de informações sobre GPS e dados da saúde psicológica da vítima.

O Ministério Público do Acre (MPAC), por meio dos promotores Vanderlei Batista Cerqueira e Daisson Gomes Teles, se manifestou contra esses pedidos, argumentando que buscavam “manchar a honra e imagem da vítima”, tratando Géssica como acusada, o que representaria uma forma de revitimização. O MP afirmou ainda que, com o avanço das investigações e os depoimentos dos policiais envolvidos, não haveria mais necessidade de simulações, já que a dinâmica do crime foi esclarecida.

O juiz acolheu a argumentação do MP e indeferiu os requerimentos da defesa em fevereiro. Na decisão, afirmou que “eventuais dúvidas poderão ser devidamente sanadas e aprofundadas na audiência de instrução processual, momento adequado para a elucidação dos fatos”.

Relembre o caso

Géssica Melo foi baleada e morta após furar um bloqueio da Polícia Militar na cidade de Capixaba. Segundo a versão inicial apresentada pelos policiais, a enfermeira estaria armada. A perseguição seguiu até a BR-317, já em Senador Guiomard, onde os disparos foram efetuados.

Após o crime, os agentes alegaram ter encontrado uma pistola 9 mm, de uso restrito, próxima ao local. Contudo, laudos periciais comprovaram que a arma não pertencia à vítima, e nem havia vestígios de DNA de Géssica no armamento.

A versão dos policiais foi, posteriormente, desmontada durante a investigação, o que levou ao indiciamento por homicídio qualificado e fraude processual. Atualmente, Gleyson e Cleonizio cumprem prisão domiciliar.

O advogado da família da vítima, Walisson dos Reis Pereira, comemorou a decisão da Justiça. Segundo ele, o posicionamento do Ministério Público e do magistrado reforça o respeito à memória de Géssica.