Justiça manda Governo do Acre convocar novos policiais penais após constatar colapso em presídio

Redação Notícia Imediata

Justiça manda Governo do Acre convocar novos policiais penais após constatar colapso em presídio
Publicado em 05/12/2025 às 16:46

A Justiça de Sena Madureira determinou que o Governo do Acre convoque, em até 30 dias, pelo menos 20 aprovados no concurso da Polícia Penal para reforçar a equipe da Unidade Penitenciária Evaristo de Moraes (UPEM). A decisão é do juiz Caique Cirano de Paula e atende a uma ação movida pelo Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), que pediu medidas urgentes diante da situação crítica encontrada no presídio.

A ordem judicial surge após inspeções realizadas pelo Ministério Público, Defensoria Pública e Poder Judiciário, que identificaram um quadro considerado gravíssimo, marcado por risco à segurança, falta de servidores e violações evidentes de direitos básicos dos detentos.


Crise estrutural e violações dentro da unidade

Segundo o MPAC, a UPEM enfrenta um déficit severo de policiais penais, o que tem impossibilitado o cumprimento de normas mínimas previstas na Lei de Execução Penal.
Entre os problemas relatados estão:

  • banho de sol extremamente reduzido, ocorrendo apenas uma vez por mês;
  • fornecimento de água irregular;
  • alimentação com qualidade comprometida;
  • ausência de equipe de saúde adequada;
  • inexistência de Grupo de Intervenção — a única unidade sem esse suporte em todo o estado.

Documentos elaborados pela Defensoria e pelo Juízo da Execução Penal reforçam que o cenário se aproxima do chamado Estado de Coisas Inconstitucional, já reconhecido pelo STF no âmbito do sistema prisional brasileiro.


Aprovados aguardam nomeação enquanto vagas seguem abertas

O concurso público da Polícia Penal ofereceu 261 vagas, e 308 candidatos concluíram o curso de formação. Entretanto, até agora apenas 170 foram chamados.

Para o Ministério Público, a demora na convocação viola o direito dos aprovados dentro das vagas previstas, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal (Tema 784).

A direção da UPEM informou que a unidade necessita de pelo menos 30 novos servidores para funcionar com um mínimo de segurança, incluindo reforço no Grupo de Intervenção e na equipe pedagógica.


Determinação judicial exige providências imediatas

Com a decisão, o governo estadual deverá iniciar a nomeação dos aprovados sob pena de novas sanções judiciais. O Ministério Público alerta que a falta de pessoal coloca em risco servidores e internos, além de agravar falhas históricas do sistema prisional acreano.

A determinação pode desencadear uma nova onda de cobranças e fiscalizações em outras unidades que também enfrentam problemas estruturais semelhantes no estado.

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