Justiça do Acre determina penhora de aluguéis de empresa do pecuarista Zé Filho

Redação Notícia Imediata

Justiça do Acre determina penhora de aluguéis de empresa do pecuarista Zé Filho
Publicado em 07/03/2026 às 18:44

O empresário José Teles de Oliveira Filho, amplamente conhecido no setor agropecuário como Zé Filho, está no centro de uma disputa judicial após sua empresa, a Frigordo Indústria, Comércio, Importação e Exportação Ltda., ser condenada a pagar uma dívida milionária ao pecuarista Orleir Castro Cameli. A ação, que tramita na Vara Cível de Tarauacá, refere-se à compra de quase 200 cabeças de gado realizada em 2022. Diante da dificuldade em localizar bens da empresa para a quitação do débito, o Judiciário autorizou recentemente a penhora de aluguéis de um imóvel pertencente à firma do produtor rural.

Além de sua atuação no ramo frigorífico, Zé Filho é uma figura de forte influência política e institucional no Acre. O empresário preside o Sindicato dos Produtores Rurais de Tarauacá e protagonizou, recentemente, um embate na Federação da Agricultura e Pecuária do Acre (FAEAC). Na ocasião, ele articulou uma assembleia extraordinária para propor mudanças estatutárias durante o processo eleitoral da entidade, mas a reunião acabou suspensa por uma decisão judicial que questionou a legalidade da convocação feita pelo dirigente.

No processo movido por Orleir Cameli, a defesa de Zé Filho tentou contestar os valores cobrados, alegando que parte da transação já havia sido liquidada. O empresário sustenta que, das duas operações realizadas, uma de R$ 537 mil e outra de R$ 498 mil, a nota fiscal de maior valor foi devidamente paga, restando pendente apenas a segunda. Entretanto, o magistrado do caso rejeitou os argumentos da defesa, apontando que não foram apresentados cálculos detalhados ou provas concretas que confirmassem o excesso de execução alegado pela empresa.

Com a decisão transformada em título executivo judicial, a Justiça iniciou buscas por patrimônio para saldar a dívida, incluindo bloqueios bancários e restrições de veículos, mas não obteve êxito imediato. Foi essa escassez de ativos livres que levou à determinação de penhora sobre os rendimentos de locação de um imóvel da Frigordo. A magistrada responsável destacou que, exauridas as tentativas de localizar outros bens, a retenção dos valores de aluguel diretamente em conta judicial tornou-se a medida cabível para garantir o direito do credor.

Em resposta às cobranças, o empresário Zé Filho classificou a ação judicial como “equivocada” e reafirmou publicamente que não deve o montante total pleiteado, que ultrapassa R$ 1 milhão com correções. “Eu não devo para ele um milhão de reais. Matei o gado dele à época e ele entrou com uma ação de um valor que eu não devo”, declarou o produtor rural ao portal ac24horas. Ele insiste que sua dívida real é de aproximadamente R$ 498 mil, valor correspondente à única nota fiscal que reconhece como pendente de pagamento.

Zé Filho afirmou ainda que tem buscado formas de resolver o impasse amigavelmente e que apresentou propostas de acordo que não foram aceitas. Segundo o empresário, ele chegou a oferecer um terreno avaliado em cerca de R$ 600 mil como forma de quitação e designou seu contador para mediar as conversas. Apesar do esforço de negociação alegado pelo dirigente rural, o processo segue em fase de cumprimento de sentença até que o valor determinado pela Justiça seja integralmente satisfeito.

Fonte: ac24horas Agro

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