Filha de Bocalom diz que saída dele do PL foi ‘vontade de Deus’, mas na verdade foi articulação de Marcio Bittar

Marcos Dione, do Notícia Imediata

Filha de Bocalom diz que saída dele do PL foi ‘vontade de Deus’, mas na verdade foi articulação de Marcio Bittar
Publicado em 04/03/2026 às 14:24

A saída do prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, do Partido Liberal (PL) não foi “vontade de Deus”, como chegou a ser mencionado em manifestações públicas após o anúncio. A definição ocorreu por articulação política interna da legenda, liderada pelo senador Marcio Bittar, presidente estadual do partido. Nos bastidores, a pré-candidatura ao Governo do Acre já enfrentava resistência dentro da sigla.

Na última terça-feira (3), Bocalom comunicou que não será candidato ao governo pelo PL nas eleições de 2026. Segundo ele, a decisão foi informada pelo presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, após diálogo com Márcio Bittar e com o senador Rogerio Marinho. A direção partidária optou por não aprovar internamente o nome do prefeito como pré-candidato.

Apesar de mensagens publicadas nas redes sociais associarem o episódio à “vontade de Deus”, o cenário político demonstra que a decisão foi fruto de estratégia e alinhamento partidário. Articulações eleitorais envolvem negociações, composições e interesses políticos, não intervenções divinas. Deus não participa de deliberações partidárias ou definições estratégicas de candidaturas.

Após o anúncio, Bocalom compartilhou uma mensagem enviada por sua filha, que afirmou que, se a candidatura não se concretizou pelo PL, “foi feita a vontade de Deus”. A manifestação teve tom de apoio e conforto familiar, mas a realidade política aponta que o desfecho foi resultado direto das decisões tomadas pela cúpula da legenda.

Fontes políticas indicam que Márcio Bittar teve papel determinante na condução do processo interno que resultou no veto à pré-candidatura. A movimentação faz parte da estratégia eleitoral do grupo para 2026, consolidando a linha de definição partidária.

Mesmo deixando o PL, Bocalom declarou que seguirá apoiando Márcio Bittar e o governador Gladson Cameli. O episódio evidencia que, no campo político, decisões são tomadas por lideranças e acordos internos, e não por desígnios divinos.