No Acre, detento acusado de executar jovem em crime bárbaro morre na UTI uma semana após passar mal no presídio
Marcos Dione, do Notícia Imediata

Bruno Teixeira de Souza, de 23 anos, morreu na terça-feira (27) na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Pronto Socorro de Cruzeiro do Sul, no Acre, após sofrer um mal súbito enquanto cumpria pena no presídio Manoel Neri. Ele era um dos principais acusados de envolvimento na execução brutal do jovem João Vitor da Silva Borges, de 21 anos, crime que causou grande repercussão e revolta no município.
Segundo a direção da unidade prisional, Bruno passou mal durante o banho de sol no dia 19 de maio. Detentos que presenciaram a situação tentaram reanimá-lo enquanto aguardavam a chegada do socorro. Ele foi levado com urgência para o hospital, onde permaneceu internado por oito dias, mas não resistiu.
De acordo com o diretor interino do presídio, Josimar Alves, até então não havia informações de que o detento possuía problemas de saúde. “Ele deu entrada no dia 13 de março, acusado de envolvimento na morte do João Vitor. No dia 29, foi atendido por um médico, mas não relatou nenhuma condição cardíaca. Só depois da parada é que soubemos que ele usava uma válvula no coração e fazia uso de benzetacil”, explicou.
Relembre o caso
O crime que chocou a cidade ocorreu em março deste ano. João Vitor desapareceu no dia 8 e teve o corpo encontrado no dia 11, boiando no Rio Juruá. O jovem estava com as mãos amarradas e apresentava várias perfurações de faca no rosto e pescoço. A crueldade do assassinato causou forte comoção em Cruzeiro do Sul.
De acordo com a investigação da Polícia Civil, João Vitor teria sido atraído por uma amiga até o bairro Cohab, onde foi surpreendido por criminosos ligados a uma facção. A motivação do crime seria uma represália: o jovem havia imobilizado, durante uma abordagem da PM, um dos membros da organização criminosa. A ordem para sua morte teria partido de um “conselho” interno da facção.
Bruno Teixeira era monitorado por tornozeleira eletrônica, e as autoridades confirmaram sua presença no local do crime por meio do sistema de rastreamento do Iapen. Além dele, outros dois suspeitos foram identificados e detidos:
- Maria Francisca Fernandes Lima, de 27 anos, amiga da vítima, foi quem atraiu João Vitor até o local do crime. Ela confessou participação, mas foi solta em audiência de custódia no dia 13 de março.
- Gabriel Farias da Cruz, de 18 anos, seria o autor da retaliação após ter sido imobilizado por João Vitor durante a ação policial.
A morte de Bruno encerra sua trajetória de forma abrupta, enquanto o processo judicial referente ao assassinato de João Vitor continua em andamento. A Polícia Civil segue apurando o envolvimento de outros membros da facção no caso.
