Entre o “Puxa-Saquismo” e a Realidade: Felipe Tchê ignora caos na cidade para elogiar Bocalom

Marcos Dione, do Notícia Imediata

Entre o “Puxa-Saquismo” e a Realidade: Felipe Tchê ignora caos na cidade para elogiar Bocalom
Publicado em 25/03/2026 às 20:46

Durante a sessão desta quarta-feira (25) na Câmara Municipal de Rio Branco, o vereador Felipe Tchê (PP) optou por um discurso de exaltação à gestão atual, deixando de lado o estado de abandono que afeta diversos bairros da capital. Ao utilizar o grande expediente, o parlamentar focou em “rasgar seda” para o prefeito Tião Bocalom e o vice Alysson Bestene, priorizando o alinhamento político em detrimento das cobranças severas que a zeladoria da cidade exige.

O centro das atenções do vereador foi o recém-entregue Viaduto Mamedio Bittar. Em uma tentativa clara de blindar a administração municipal, Tchê classificou a obra como um marco de “qualidade de vida”, ignorando que intervenções isoladas não resolvem o déficit estrutural crônico de Rio Branco. O tom excessivamente elogioso soou como uma tentativa de desviar o foco dos problemas que a população enfrenta diariamente em ruas esburacadas e sem iluminação.

Entretanto, a própria fala do vereador acabou expondo as contradições da gestão que ele tanto defende. Mesmo tentando manter o otimismo, Tchê foi obrigado a admitir que o entorno do novo viaduto apresenta falhas graves de execução. Registros encaminhados ao seu próprio gabinete revelam calçadas inadequadas e obstáculos que impedem o direito de ir e vir, provando que, mesmo em obras “vitrine”, o planejamento urbano da prefeitura deixa a desejar.

O descaso torna-se ainda mais evidente quando se observa a falta de acessibilidade para pessoas com deficiência e idosos. Ao reconhecer que a acessibilidade está sendo tratada como um “elemento secundário” pela prefeitura, o vereador expõe uma gestão que prioriza a estética do concreto em vez da dignidade humana. O parlamentar, que deveria fiscalizar com rigor, limitou-se a tratar erros grosseiros de engenharia como “ajustes simples” que aguardam a boa vontade do executivo.

Ao final, o posicionamento de Felipe Tchê desenha o cenário de uma câmara que, por vezes, parece mais preocupada em garantir o apoio ao Palácio Azul do que em dar voz aos cidadãos que vivem em uma cidade abandonada. Enquanto o vereador se perde em agradecimentos e cortesias à equipe do prefeito, os moradores de Rio Branco seguem aguardando por uma infraestrutura que, na prática, está longe da perfeição pintada na tribuna.