Enquanto população sofre com enxurradas devido falta de infraestrutura, Bocalom defende show de drones

Redação Notícia Imediata

Enquanto população sofre com enxurradas devido falta de infraestrutura, Bocalom defende show de drones
Publicado em 26/12/2025 às 18:51

Em uma demonstração de total desconexão com o sofrimento das periferias, o prefeito Tião Bocalom (PL) utilizou os microfones da TV Norte, afiliada ao SBT, nesta sexta-feira (26), para defender o gasto de mais de R$ 700 mil com um show de drones. Enquanto o gestor exaltava a “modernidade” do espetáculo, milhares de cidadãos de Rio Branco enfrentavam uma realidade brutalmente oposta: bueiros entupidos, ruas intrafegáveis e casas invadidas por enxurradas. A entrevista soou como um tapa na face do contribuinte que, no mesmo instante, tentava salvar móveis e eletrodomésticos da lama causada pela falta crônica de infraestrutura.

O contraste entre o luxo tecnológico e o descaso básico é vergonhoso. O valor desperdiçado em poucos minutos de luzes no céu poderia ter sido aplicado na desobstrução de galerias e na manutenção de canais que hoje colapsam ao menor sinal de chuva. Ao priorizar um entretenimento caríssimo e efêmero, Bocalom deixa claro que sua gestão prefere investir em “vitrines instagramáveis” do que em obras invisíveis debaixo da terra, aquelas que realmente salvam a dignidade de quem vive em áreas de risco.

A fala do prefeito na TV Norte revela uma tentativa cínica de pautar a cidade pela estética, ignorando o lodo que se acumula nas salas de estar da população. Defender o uso de quase um milhão de reais em drones em uma capital que carece de saneamento básico e drenagem eficiente não é apenas um erro de gestão, é uma escolha política de priorizar o supérfluo sobre o essencial. Rio Branco não precisa de luzes importadas para ser moderna; precisa de uma prefeitura que encare o chão da cidade em vez de olhar apenas para as nuvens.

A insistência de Bocalom em sustentar esse gasto milionário expõe a face de um governo que confunde administração pública com marketing de alto custo. No momento em que a capital acreana mais precisava de máquinas nas ruas e engenharia de drenagem, recebeu apenas o brilho distante de drones. O discurso de “inovação” defendido na televisão cai por terra diante de cada bueiro transbordando, provando que, para esta gestão, a imagem da prefeitura vale mais do que a segurança e o patrimônio das famílias atingidas pelas águas.

Por fim, o espetáculo de drones torna-se o símbolo máximo de uma gestão que voa alto na teoria, mas atola na prática. Enquanto o prefeito celebrava a coreografia aérea na tela da TV Norte, a população de Rio Branco permanecia de pé, no meio da água suja, aguardando uma infraestrutura que nunca chega. O show terminou, as luzes se apagaram e os drones voltaram para as caixas, mas a lama e o prejuízo continuam na porta do cidadão acreano, como prova real de um governo que perdeu o senso de prioridade.