Em reunião na Secretaria de Saúde, Prefeitura e Ricco não se acertam e cidade continuará sem ônibus coletivo
Redação Notícia Imediata

A crise no transporte coletivo de Rio Branco atingiu um novo patamar de incerteza nesta quarta-feira (22). Em um movimento que causou estranheza, a reunião decisiva entre a prefeitura e a Ricco Transportes não ocorreu na RBTrans, órgão que, por via de regra, deveria gerir o setor, mas sim na sede da Secretaria Municipal de Saúde. Mesmo em uma pasta que nada tem a ver com a logística de transporte, a equipe do prefeito Alysson Bestene e a administradora Bruna Dias não chegaram a um consenso, garantindo que a cidade continuará sem ônibus nesta quinta-feira.
O dia foi marcado por desencontros e falta de transparência desde as 4h da manhã, quando os motoristas decidiram não tirar os veículos da garagem. A escolha da Secretaria de Saúde como palco para as negociações da tarde levantou questionamentos sobre a desarticulação da gestão municipal, uma vez que a Superintendência de Transportes e Trânsito (RBTrans) foi escanteada do debate central sobre a paralisação da frota.
No centro da disputa está o descumprimento de direitos básicos. A administradora da Ricco Transportes, Bruna Dias, chegou a prometer o pagamento imediato do vale-refeição para os trabalhadores, mas a promessa não se concretizou até o fechamento desta edição. Sem o dinheiro na conta, os motoristas mantêm a posição firme de paralisação total, alegando que não possuem condições financeiras sequer para se alimentar durante a jornada de trabalho.
A gravidade da situação mobilizou o Ministério Público do Estado do Acre. Através da Promotoria de Defesa do Consumidor, o órgão enviou um ofício à prefeitura cobrando explicações urgentes sobre a greve. O MP quer entender quais medidas estão sendo tomadas para sanar o problema, especialmente diante do cenário de reuniões improvisadas em secretarias alheias ao tema, enquanto a população permanece desassistida nas paradas de ônibus.
Com o fracasso das tratativas em “território estranho”, Rio Branco amarga o segundo dia consecutivo de colapso na mobilidade urbana. A ausência de um acordo técnico e a falta de garantias financeiras para os funcionários da Ricco Transportes deixam os usuários à mercê de transportes alternativos, sem qualquer previsão de quando o fluxo normal dos ônibus será restabelecido na capital.
