Educação esquecida, poder garantido: a estratégia de políticos como Rosana Gomes, prefeita do Quinari
Marcos Dione, do Notícia Imediata

A educação, no discurso político, costuma ser tratada como prioridade. No entanto, quando se analisa a prática de muitos gestores, percebe-se que ela ocupa posição secundária diante de interesses eleitorais. É o caso de administrações como a da prefeita Rosana Gomes (PP), de Senador Guiomard, que já chegou a ser apontada como uma das piores gestoras públicas do Acre e que, mesmo assim, se mantém no jogo político.
Mas por que prefeitos que negligenciam áreas estruturantes, como a educação, conseguem se sustentar e até se perpetuar no poder?
1. A lógica da política de curto prazo
Educação é investimento de longo prazo. Os frutos não aparecem em um ou dois anos, mas ao longo de gerações. Prefeitos que pensam unicamente em reeleição preferem aplicar recursos em obras visíveis e imediatas — asfaltamento, festas públicas, iluminação —, mesmo que tais ações não resolvam os problemas estruturais da cidade. A prioridade não é transformar, mas mostrar resultados rápidos para render votos.
2. A manipulação da máquina pública
A perpetuação no poder muitas vezes não se dá pelo bom desempenho administrativo, mas pelo uso político da máquina: distribuição de cargos, contratos direcionados, favorecimento de aliados e utilização de recursos públicos para propaganda. Quando se cria uma rede de dependência, a educação perde espaço, porque não gera dividendos eleitorais imediatos.
3. O abandono estratégico da educação
Ao enfraquecer a educação, mantém-se a população em uma condição de dependência do poder local. Cidadãos com menor acesso à informação crítica tornam-se mais vulneráveis à política do favor, da promessa e da propaganda. É uma escolha perversa, mas funcional para quem deseja se manter no comando sem ser questionado.
4. Cultura política e fragilidade de fiscalização
No interior, muitas vezes, a política ainda é marcada por personalismos e troca de favores. A ausência de fiscalização efetiva, tanto por parte da Câmara Municipal quanto de órgãos de controle, abre espaço para que práticas ineficientes e até nocivas à coletividade continuem sendo reproduzidas.
5. A contradição: rejeição alta, mas controle do cenário
Curiosamente, mesmo sendo mal avaliados em pesquisas ou alvo de críticas da população, gestores como Rosana Gomes conseguem se sustentar. Isso ocorre porque fragmentam a oposição, controlam parte da base política local e se apoiam em alianças partidárias que lhes garantem sobrevida.
Conclusão
O caso de Senador Guiomard não é isolado: ilustra um problema estrutural da política acreana e brasileira. Enquanto prefeitos priorizarem a autopromoção e o imediatismo em detrimento da educação, as cidades continuarão presas ao ciclo do atraso.
