Combate à criminalidade exige ação legislativa, não desejos de morte; veja a opinião de Marcos Dione sobre fala de Ulysses Araújo
Marcos Dione, do Notícia Imediata

A declaração do deputado federal Coronel Ulysses Araújo (União Brasil), ao comentar o assassinato do vigilante Raimundo de Assis Souza Filho, gerou polêmica e abriu espaço para uma reflexão urgente sobre o papel de autoridades públicas diante da violência urbana.
“Que saia da UTI para o cemitério. Não tem outro lugar para ele ir”, disse o parlamentar, referindo-se a Leandro Mendes dos Santos, de 18 anos, suspeito de atirar contra o vigilante durante a tentativa de assalto a uma escola em Rio Branco.
É compreensível e humano que a brutalidade do crime revolte a população e cause indignação. A perda de um trabalhador, vítima de um ato criminoso, é uma tragédia. No entanto, desejar a morte de um suspeito que está sob custódia do Estado não contribui em nada para reduzir a violência, e pode até mesmo alimentar uma lógica perigosa de vingança e banalização da vida.
O papel do deputado: leis, não execuções
Deputados federais foram eleitos para legislar. São eles os responsáveis por propor, revisar e aprovar leis que estruturam o funcionamento do país, inclusive no que se refere ao combate à criminalidade. Se o objetivo é combater o avanço da violência, cabe ao parlamentar propor mecanismos legais mais rígidos, revisar penas, aprimorar o sistema penal e garantir recursos para políticas públicas de segurança e prevenção.
Fazer declarações com apelo popular, mas sem efeito prático, pode até gerar manchetes e curtidas nas redes sociais, mas não resolve os problemas reais das comunidades afetadas pela violência. O que de fato reduz a criminalidade é um conjunto de ações articuladas entre leis eficazes, policiamento estratégico, justiça célere e políticas de inclusão social.
Vingança não é justiça
Desejar a morte de criminosos é um reflexo da sensação de impunidade, mas não substitui o funcionamento pleno da Justiça. A segurança pública é um direito coletivo e precisa ser pautada por estratégias responsáveis. O Estado não pode agir movido por emoções ou julgamentos sumários, e os representantes eleitos pelo povo devem ser os primeiros a respeitar essa premissa.
Por soluções, não frases de efeito
A indignação com o crime cometido contra o vigilante Raimundo é legítima. Ele merece justiça, e sua família merece amparo. Mas transformar o debate sobre segurança pública em uma arena de ódio e retaliação apenas afasta ainda mais o país de soluções duradouras.
É tempo de cobrar mais que declarações inflamadas: é hora de cobrar legislações firmes, atuação parlamentar efetiva e compromisso com políticas que ataquem a raiz do problema.
