Chico Mendes: entre o legado vivo e os ataques que ainda insistem em calar sua história
Bruno Silva, para o Notícia Imediata

Trinta e cinco anos após seu assassinato, o líder seringueiro e ambientalista Chico Mendes continua sendo alvo de ataques — desta vez não por balas, mas por palavras. O homem que deu a vida pela floresta e pelos povos da Amazônia tem sua memória frequentemente deslegitimada por setores que tentam apagar ou distorcer sua trajetória.
Recentemente, declarações públicas minimizaram sua importância histórica ou tentaram vinculá-lo a agendas políticas distorcidas. Não é a primeira vez. Desde sua morte, em 22 de dezembro de 1988, Chico Mendes virou símbolo global da luta pela preservação ambiental e pela justiça social. Mas dentro do Brasil — e especialmente em seu estado natal, o Acre — seu nome ainda provoca reações intensas, e nem sempre positivas.
Os ataques à sua figura não são apenas injustos, mas perigosos. Questionar o legado de Chico Mendes é ignorar conquistas históricas como a criação das reservas extrativistas — áreas de conservação que garantem ao mesmo tempo a preservação ambiental e os direitos dos povos da floresta. É também apagar o papel crucial que ele teve na organização sindical de seringueiros, promovendo uma resistência pacífica contra o desmatamento e a expulsão de comunidades tradicionais.
O contexto atual, marcado pelo aumento do desmatamento e da violência no campo, revela como sua luta segue urgente. Atacar sua memória é, na prática, um recuo na busca por soluções sustentáveis e humanas para a Amazônia.
Manter viva a história de Chico Mendes não é uma questão ideológica. É um compromisso com a verdade, com a justiça e com o futuro da floresta e de seus povos. Seus ideais não morreram com ele — e enquanto houver quem lute por justiça social e ambiental, Chico continuará sendo um farol, não um fantasma do passado.
Essa é a opinião do sociólogo Bruno Silva
