Cheia do Abunã afeta mais de 100 famílias em Plácido de Castro e bloqueia acesso à Bolívia
Redação Notícia Imediata

A cheia do Rio Abunã atingiu níveis críticos em Plácido de Castro, no interior do Acre, superando a cota de transbordo de 12,60 metros. Na terça-feira (7), o manancial registrou 12,93 metros, mantendo um estado de alerta na região após semanas de oscilação e chuvas intensas que chegaram a 280mm em apenas três dias.
O impacto direto da inundação já atinge mais de 100 famílias entre as zonas urbana e rural. Na cidade, duas famílias precisaram abandonar suas residências e buscar abrigo com parentes e amigos. Até o momento, a Defesa Civil Municipal informa que não há desabrigados em alojamentos públicos, mas o monitoramento segue rigoroso.
A situação é mais severa na zona rural, especificamente nas comunidades Mendes Carlos, Ramal da Maloca e Cabo Severino. O isolamento causado pela água impede o escoamento da produção agrícola, resultando na perda de alimentos. Para mitigar o prejuízo, as autoridades estão distribuindo cestas básicas e água mineral para os moradores afetados.
A infraestrutura local também sofreu danos importantes, com a interdição da ponte sobre o Igarapé Rapirrã, que conecta o município à Vila Evo Morales, na Bolívia. Engenheiros do Deracre realizaram uma vistoria técnica e decidiram manter a estrutura fechada para veículos devido a danos estruturais, permitindo apenas a travessia de pedestres e ciclistas.
O fechamento da ponte gera um reflexo econômico negativo, prejudicando brasileiros que possuem comércios no lado boliviano ou dependem do fluxo de mercadorias entre os dois países. A liberação para trabalhadores que utilizam bicicletas foi uma estratégia adotada para tentar minimizar a paralisia das atividades laborais essenciais na fronteira.
Diante do cenário agravado pelo aumento exponencial dos níveis de diversos rios da região, o governo do Acre decretou situação de emergência em Plácido de Castro e outros cinco municípios. O decreto, válido por 180 dias, visa agilizar o repasse de recursos federais e facilitar as medidas de resposta aos danos humanos e materiais causados pela enchente.
