Caravana da Aleac pela BR-364: mais um espetáculo politiqueiro pago com dinheiro público
Marcos Dione, do Notícia Imediata

Os deputados estaduais do Acre deram início nesta quinta-feira (5) a uma “caravana” pela BR-364, Acre a dentro. O objetivo declarado seria constatar o que toda a população já sabe e sente na pele: a rodovia está em péssimas condições de trafegabilidade.
Comitiva formada por parlamentares, assessores e jornalistas embarcou na estrada com estrutura financiada por dinheiro público. A cada parada, registros cuidadosamente posados são distribuídos aos portais de notícia, muitos dos quais recebem recursos oriundos da própria Assembleia Legislativa. O sorriso forçado nas fotos contrasta com a realidade do asfalto esburacado, das pontes precárias e do abandono histórico da via.
O que não se diz, e poucos se atrevem a apontar, é que a BR-364 é de responsabilidade do governo federal. Ou seja: por mais que queiram transformar a viagem em palco para discursos indignados e vídeos para as redes sociais, os deputados estaduais não têm poder direto sobre a solução do problema.
Se há tanto interesse em verificar in loco o drama das rodovias, por que não organizar uma caravana pelas estradas estaduais, muitas delas em situação ainda mais crítica que a BR-364? Quem percorre diariamente ramais e trechos como a AC-10 ou a AC-90 sabe que o abandono é real, e a responsabilidade direta é do governo estadual, do qual a Assembleia Legislativa faz parte por meio da base de apoio.
O que se vê é um movimento midiático e politiqueiro, com finalidades muito claras: gerar conteúdo, ganhar visibilidade e tentar capitalizar com o sofrimento do povo. Enquanto isso, nenhuma proposta concreta é apresentada. Nenhuma cobrança real é feita ao governo do Estado pelas estradas que estão sob sua responsabilidade.
Rodovias não se recuperam com fotos sorridentes ou frases indignadas em vídeos de redes sociais. Se os parlamentares querem realmente fazer algo pelo Acre, que comecem cobrando aquilo que está sob sua alçada direta e parem de gastar dinheiro público com caravanas inócuas que servem mais para alimentar vaidades do que para resolver problemas.
