Crise política em Rio Branco: Bocalom perde apoio e se isola ainda mais

Coluna do Marcos Dione

Crise política em Rio Branco: Bocalom perde apoio e se isola ainda mais
Publicado em 20/03/2025 às 14:26

A política em Rio Branco vive dias de desalento e descrença. O prefeito Tião Bocalom, que um dia encarnou o discurso da mudança e da gestão técnica, hoje se vê cercado por críticas, impopularidade crescente e decisões que beiram o personalismo — como a nomeação da própria esposa para seu gabinete, algo que, mesmo que dentro da legalidade, fere o bom senso e a ética republicana.

A decisão de empregar a companheira na administração municipal reforça a imagem de um governo que perdeu o senso de autocrítica e a noção de prioridade. Em meio a problemas crônicos de infraestrutura, transporte precário e ausência de políticas públicas eficazes, o prefeito age como se estivesse blindado das cobranças da população. Não está.

A verdade é que Bocalom já não caminha pelas ruas com a segurança política de outrora. Hoje, precisa de escolta para circular nos bairros que o elegeram — um reflexo direto do distanciamento entre sua gestão e as reais demandas da cidade.

Enquanto isso, figuras como Marcus Alexandre, apesar de não terem conseguido avançar ao segundo turno nas últimas eleições, permanecem no radar do eleitorado como alternativas possíveis. A frustração com a atual gestão pode abrir espaço para o retorno de líderes mais articulados, desde que saibam renovar seu discurso e apresentar soluções práticas.

No contraponto, o governador Gladson Cameli, mesmo envolvido em diversas polêmicas, ainda conserva apoio popular. Um dos diferenciais está em sua capacidade de reconhecer erros e se reinventar — algo que falta a Bocalom, cuja teimosia política contribui diretamente para o enfraquecimento de sua gestão.

Se o prefeito não consegue mais dialogar com o povo, nem manter pontes com o governo federal ou o parlamento, talvez devesse, de fato, repensar seu papel. Rio Branco precisa urgentemente de lideranças que inspirem confiança, atuem com transparência e, acima de tudo, respeitem o interesse público.

A cidade clama por soluções — não por nomeações familiares e discursos vazios.