Bocalom defende secretário em caminhada por anistia a criminosos enquanto Rio Branco enfrenta alagações

Marcos Dione, do Notícia Imediata

Bocalom defende secretário em caminhada por anistia a criminosos enquanto Rio Branco enfrenta alagações
Publicado em 24/01/2026 às 0:11

A ausência do secretário municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, João Marcos Luz, em Rio Branco, gerou repercussão imediata nesta semana. Enquanto a capital acreana lida com o monitoramento crítico de rios e famílias atingidas por alagações pontuais, o gestor da pasta responsável pelo amparo social deslocou-se para participar da “Caminhada pela Liberdade e Anistia”, percorrendo o trajeto entre Minas Gerais e o Distrito Federal.

O prefeito Tião Bocalom (PL), no entanto, não economizou elogios à atitude de seu secretário. Em suas redes sociais, o chefe do Executivo municipal saiu em defesa da viagem, classificando a presença de João Marcos Luz e do senador Márcio Bittar no ato como um gesto de coragem. Para Bocalom, ambos representam a parcela da população acreana que não se cala diante do que chamam de injustiças cometidas pelo Judiciário.

A mobilização, organizada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, visa pressionar o Congresso Nacional pela votação de um projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Durante o percurso de cerca de 200 quilômetros sob sol forte, o grupo afirma que o esforço físico é irrelevante perto da situação dos detentos, reforçando uma narrativa de resistência política que o prefeito Bocalom fez questão de endossar publicamente.

Contudo, a participação do secretário de Assistência Social em um evento de cunho ideológico a quilômetros de distância levanta questionamentos sobre as prioridades da gestão. No momento em que a Assistência Social deveria estar em prontidão máxima para coordenar abrigos e auxílios às vítimas das chuvas, o titular da pasta optou por se engajar em uma pauta nacional que nada se relaciona com as urgências imediatas do município.

Nas redes sociais, as opiniões se dividem. Enquanto apoiadores do prefeito aplaudem o alinhamento com a pauta conservadora e a defesa das liberdades democráticas, críticos apontam uma “deserção” administrativa. Argumenta-se que a presença física de um secretário de Direitos Humanos é indispensável em solo acreano quando o direito básico à moradia e segurança de famílias carentes é ameaçado pelas águas.

Márcio Bittar, que acompanha o secretário na jornada, reforçou o tom de sacrifício da caminhada, afirmando que a mobilização só cessará com a votação da anistia. Esse discurso foi amplificado pelo prefeito, que utilizou suas plataformas para conferir legitimidade institucional à ausência de João Marcos, tratando a viagem não como um afastamento do dever, mas como uma extensão da luta política do estado em Brasília.

Com a previsão de chegada do grupo à capital federal no próximo domingo, a gestão municipal segue sob os holofotes. O retorno do secretário é esperado para a retomada dos trabalhos internos, mas o apoio explícito de Bocalom à sua saída em um momento de vulnerabilidade climática deixa claro que, para o atual governo, as bandeiras ideológicas nacionais possuem peso equivalente — ou superior — aos desafios cotidianos da administração pública.