Bebê desaparecida há mais de um mês após execução da mãe pode não ter sido sequestrada, diz polícia

Marcos Dione, do Notícia Imediata

Bebê desaparecida há mais de um mês após execução da mãe pode não ter sido sequestrada, diz polícia
Fotos: reprodução
Publicado em 25/04/2025 às 7:56

Passado um mês do brutal assassinato de Yara Paulino, em Rio Branco, o caso ainda não teve desfecho. Os responsáveis pela morte da jovem, espancada e ferida a machadadas em via pública no conjunto habitacional Cidade do Povo, continuam em liberdade. E a filha recém-nascida dela, Cristina Maria, de apenas três meses, segue desaparecida.

A Polícia Civil mantém as investigações ativas e não descarta nenhuma hipótese, inclusive a de que a bebê esteja viva e ainda no estado. O delegado Alcino Souza, que conduz o caso, afirmou ao g1 que as apurações estão avançadas e que a polícia espera dar uma resposta à sociedade nos próximos dias.

“Tenho esperança de encontrar essa criança viva, mas não posso garantir. Acreditamos que pode não ter havido um sequestro. Precisamos de mais tempo e provas para afirmar algo com certeza”, declarou o delegado.

A tragédia que chocou Rio Branco

O crime aconteceu após rumores, espalhados por moradores, de que Yara teria matado a própria filha. A jovem, usuária de drogas, vivia com três filhos em condições vulneráveis. Cerca de duas semanas antes de ser assassinada, ela relatou o desaparecimento da bebê a vizinhos, apontando o ex-companheiro e pai da criança, Ismael Bezerra Freire, como responsável por ter levado a menina sem autorização.

Apesar da denúncia verbal, nem Yara nem o pai da criança procuraram formalmente a polícia. A bebê, que ainda não tinha sido registrada por falta de documentação da mãe, sumiu sem deixar rastros. No dia 24 de março, uma ossada foi encontrada dentro de um saco de ração no bairro, e o boato de que seriam restos da criança se espalhou rapidamente.

Com a notícia, membros de uma facção criminosa invadiram a casa de Yara, a agrediram violentamente e a mataram na rua. A brutalidade do crime gerou indignação em toda a capital. Horas depois a perícia divulgou que os ossos encontrados em uma área de mata eram na verdade de um cachorro.

Desdobramentos e buscas

No dia 26 de março, a Polícia Civil inseriu o desaparecimento de Cristina Maria na plataforma Amber Alert, do Ministério da Justiça. Desde então, a família paterna da bebê tem distribuído cartazes com sua foto e informações em diversos pontos de Rio Branco, como terminais de ônibus, rodoviária e comércios próximos ao bairro onde morava.

O delegado reforçou que, apesar das suspeitas, não há evidência concreta de que a ossada encontrada pertença à bebê desaparecida. “A análise pericial ainda está em curso. Seguimos ouvindo testemunhas e coletando informações para esclarecer tanto o desaparecimento quanto o assassinato de Yara”, disse Alcino Souza.

Enquanto isso, a população segue em alerta e na esperança de que o caso tenha um desfecho justo — e que a pequena Cristina Maria seja encontrada com vida.