Aposentado do jornalismo, Edvaldo Souza assume vice-presidência de partido político nanico no Acre

Redação Notícia Imediata

Aposentado do jornalismo, Edvaldo Souza assume vice-presidência de partido político nanico no Acre
Publicado em 26/01/2026 às 1:20

A reestruturação do partido Democracia Cristã (DC) no Acre, anunciada neste domingo (25), traz uma tentativa de sobrevivência e busca por relevância para a sigla, que ainda tenta deixar o rótulo de partido nanico no estado. O movimento mais chamativo dessa nova fase é a confirmação do jornalista Edvaldo Souza na vice-presidência estadual. Recém-aposentado das telas e do jornalismo diário, Souza agora aposta seu capital de imagem em uma legenda que historicamente luta para ultrapassar a cláusula de barreira e ter representatividade real nos parlamentos.

A nova Executiva, montada sob as diretrizes da nacional, será presidida por Walter Damasceno. O desafio da dupla Damasceno e Souza é imenso: transformar um partido sem fundo partidário robusto e sem tempo de TV expressivo em uma força competitiva. Para um partido nanico como o DC, a presença de uma figura popular como Edvaldo Souza é vista como uma tábua de salvação para tentar atrair novas filiações e, quem sabe, romper o ciclo de siglas que apenas “orbitam” as grandes coalizões no Acre.

Além de Souza, a Secretaria-Geral ficou sob o comando do empresário Gladson Menezes. A função de Menezes será o trabalho “formiguinha”, típico das legendas menores: articular a montagem de chapas proporcionais que permitam ao partido sobreviver sem ser engolido pelas grandes máquinas partidárias. Segundo ele, o foco será a construção de nominatas para a Câmara Federal, um objetivo ambicioso para uma sigla que ainda busca consolidar suas bases no interior do estado.

O presidente Walter Damasceno afirmou que a nova gestão chega com um discurso de pragmatismo. No entanto, o tom moderado não esconde a realidade de um partido que precisa ocupar espaços de forma estratégica para não desaparecer. “Vamos ocupar nosso espaço com responsabilidade”, declarou o dirigente, sinalizando que a sigla está aberta a diálogos, inclusive com o governo estadual, para garantir sua viabilidade política e financeira.

O respaldo para essa tentativa de crescimento vem diretamente do presidente nacional do DC, João Caldas. Ele reforçou que o partido passa por um realinhamento em todo o país, focando na modernização de suas bases. No Acre, o aval da direção nacional é o combustível para que Damasceno e Souza busquem parcerias com o atual governo, tentando colocar o DC na mesa de negociações das grandes alianças majoritárias para as próximas eleições.

Procurando sair da invisibilidade comum aos partidos nanicos, a nova diretoria já agendou compromissos de peso. Walter Damasceno deve se reunir nos próximos dias com a vice-governadora do Acre, Mailza Assis. O encontro é visto como um movimento tático para testar a temperatura política e verificar onde o “novo” DC de Edvaldo Souza pode se encaixar na estrutura de poder estadual, visando convergências que garantam a sobrevivência da sigla.

A grande incógnita para os analistas políticos locais é se o prestígio de Edvaldo Souza no jornalismo será suficiente para inflar um partido que, até então, possuía pouca expressão nas urnas acreanas. Enquanto limpam a casa e planejam o futuro, os novos dirigentes do Democracia Cristã sabem que o caminho entre ser uma legenda nanica e se tornar um partido de protagonismo exige mais do que nomes conhecidos; exige uma estrutura que o DC ainda corre contra o tempo para construir.