Após gastar mais de R$ 200 milhões, Bocalom ameaça população com privatização do Saerb se dívidas não forem pagas
Redação Notícia Imediata

O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PL), anunciou nesta terça-feira (26) o chamado Refis 2025 do Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb), programa que prevê descontos de até 95% em juros e multas para quem negociar dívidas acumuladas. A promessa é recuperar parte dos mais de R$ 100 milhões de inadimplência registrados pelo órgão.
A proposta, que em tese deveria aliviar a população, veio acompanhada de uma ameaça explícita: se os moradores não pagarem, o Saerb pode ser privatizado, e “a conta ficará até dez vezes mais cara”, segundo o próprio prefeito. O discurso, no entanto, soa como chantagem em cima de uma população já sobrecarregada por serviços precários e tarifas que, embora consideradas “baixas” pela gestão, não correspondem à qualidade da água entregue diariamente.
Bocalom ainda afirmou que a prefeitura já gastou mais de R$ 200 milhões para evitar o colapso no abastecimento, mas pouco explicou sobre a má gestão que fez a autarquia chegar a esse ponto. O prefeito insiste em comparar o Saerb com a Emurb, mas esquece de que urbanização e saneamento têm dinâmicas completamente diferentes: água é um bem essencial, e a incompetência administrativa não pode ser jogada nas costas da população.
Outro ponto revelador é a falta de hidrômetros. Atualmente, menos de 30% dos imóveis de Rio Branco contam com medidores de consumo, o que gera cobranças distorcidas e perda de receita. A falha, no entanto, não é do cidadão, mas de anos de descaso do poder público em estruturar o serviço. Agora, ao invés de assumir a responsabilidade, a prefeitura transfere a conta e ainda ameaça vender o patrimônio público.
Enquanto isso, o marco legal do saneamento estabelece metas rigorosas até 2033, e Rio Branco continua longe de cumpri-las. O prefeito afirma que “não adianta cobrar asfalto se nem o IPTU é pago” — uma fala que reforça o costumeiro tom de acusação contra a própria população, como se a cidade fosse culpada pelos erros administrativos de sua gestão.
O Refis 2025 já está em vigor e pode ser aderido até 31 de dezembro, com possibilidade de prorrogação. Mas a grande questão continua: o programa será suficiente para reverter anos de má gestão? Ou servirá apenas como um paliativo para justificar, lá na frente, a privatização do Saerb, vendida como “única saída”?
No fim, a conta continua caindo no colo da população — seja pelo descaso do poder público, seja pela ameaça de entregar um bem essencial da cidade à iniciativa privada.
