Após 200 km, caminhada bolsonarista que teve três políticos acreanos termina com 29 feridos e zero efeito jurídico
Redação Notícia Imediata

A tentativa de demonstração de força da extrema-direita, que contou com a participação de figuras carimbadas da política acreana, revelou-se um esforço inútil e perigoso. O ato, que teve a presença do senador Márcio Bittar, do deputado federal Coronel Ulysses e do secretário de assistência social de Rio Branco, João Marcos Luz, todos expoentes do bolsonarismo radical no Acre, terminou de forma dramática quando um raio atingiu um grupo de apoiadores, deixando 29 feridos, pelo menos 8 em estado grave.
Para a população de Rio Branco, a presença de João Marcos Luz no evento foi recebida com indignação, sendo vista como um abandono de dever. Enquanto a capital acreana enfrenta a subida repentina do Rio Acre, o secretário responsável por amparar as famílias atingidas pela alagação preferiu atravessar o país para participar de um ato político. A ausência do gestor no momento em que a cidade entra em estado de vigilância evidencia uma prioridade ideológica que ignora o sofrimento dos ribeirinhos e a urgência do serviço público.
Ao lado de Luz, Márcio Bittar e o Coronel Ulysses reforçaram a comitiva da extrema-direita, tentando dar um ar de relevância a uma manifestação que, juridicamente, nasceu morta. O objetivo de pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para reverter as condenações de Jair Bolsonaro provou-se uma estratégia nula. Em Brasília, o entendimento é de que o barulho das ruas, especialmente de um movimento marcado pelo radicalismo, não tem o poder de interferir em decisões técnicas e constitucionais que mantêm o ex-presidente no cárcere.
O incidente com o raio, que quase transformou o ato em uma tragédia coletiva, serviu como uma metáfora sombria para o atual momento do bolsonarismo: muita exposição e nenhum resultado prático. Os 29 feridos são o saldo lamentável de uma mobilização que não alterou em um milímetro a situação penal de Bolsonaro. O Judiciário permanece firme no posicionamento de que o ex-presidente deve continuar preso até cumprir integralmente sua pena, independentemente das romarias políticas feitas por parlamentares acreanos.
A ineficácia do ato ficou clara quando as luzes se apagaram e o balanço político foi feito. Márcio Bittar e Coronel Ulysses, apesar da retórica inflamada, retornam para seus mandatos sem nenhuma vitória legislativa ou jurídica para apresentar. A tentativa de constranger as instituições democráticas através da aglomeração de militantes não encontrou eco no STF, que reafirmou a soberania das leis e a manutenção das sanções impostas aos envolvidos em atos antidemocráticos.
No plano local, o desgaste recai pesadamente sobre a gestão municipal de Rio Branco. O fato de um secretário de Assistência Social “turistar” em atos de extrema-direita enquanto a cidade monitora o transbordo de seus bueiros e mananciais abre uma crise de imagem difícil de contornar. João Marcos Luz escolheu a foto ao lado de líderes bolsonaristas em vez de coordenar a entrega de cestas básicas e o suporte técnico nos bairros alagados da periferia da capital.
Em suma, a caminhada foi um exercício de inutilidade política banhado por um susto meteorológico. Jair Bolsonaro permanece preso, o STF segue alheio ao clamor da extrema-direita e o Acre continua lidando com políticos que parecem mais preocupados com o destino de seu líder em Brasília do que com a realidade das águas que sobem em seus próprios quintais. O episódio do raio apenas sublinhou a imprudência de um grupo que, em busca de um palanque, expôs cidadãos ao perigo por uma causa já perdida.
