‘Ali ninguém passa’: jornalista denuncia falhas graves de acessibilidade no elevado da AABB
Marcos Dione, do Notícia Imediata

Embora batizado oficialmente como Elevado Mamédio Bittar, em homenagem ao pai do senador Márcio Bittar,, a nova estrutura de mobilidade de Rio Branco já nasceu com outro nome no vocabulário popular: o “Elevado da AABB”. É sob essa identificação que a obra vem sendo amplamente discutida, e foi sobre ela que o jornalista Altino Machado lançou um olhar crítico e contundente após a inauguração. Para o jornalista, a entrega ofereceu ao público muito mais do que concreto; brindou a capital com um “espetáculo de símbolos e contradições”.
A análise de Machado começa pela performance política do prefeito Tião Bocalom, que desfilou sem capacete em uma motocicleta com histórico eleitoral ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O jornalista descreve o ato como uma cena de palanque, onde o veículo se torna um “artefato político carregado de memórias pouco edificantes”. Segundo o texto, essa postura transforma a gestão do espaço urbano em uma extensão da propaganda ideológica, deixando em segundo plano a sobriedade que uma entrega de engenharia exigiria.
No que diz respeito à estética do “Elevado da AABB”, o jornalista critica o excesso de luzes e adornos que, em sua visão, tentam mascarar falhas estruturais. Machado afirma que a profusão de ornamentos “longe de qualificar o espaço urbano, acentua uma estética de espetáculo”, onde a aparência se sobrepõe à funcionalidade. Para ele, o que realmente brilha na intervenção não são as luzes, mas o “déficit eloquente” na aplicação de princípios básicos de urbanismo.
A crítica mais grave de Altino recai sobre a acessibilidade, ou a falta dela. Ele denuncia que a legislação sobre o piso tátil direcional foi ignorada, resultando no que chamou de “simulacro de adequação”. O jornalista explica que o contraste cromático, essencial para a orientação de pessoas com deficiência visual, foi negligenciado, comprometendo a eficácia da tecnologia assistiva que deveria garantir o direito de ir e vir de todos os cidadãos de Rio Branco.
Exemplificando o descaso, Machado descreve cenas absurdas onde o piso tátil conduz o pedestre diretamente a obstáculos intransponíveis. “Linhas e barras conduzem, sem qualquer mediação, a um obstáculo físico evidente, um poste de concreto”, aponta o jornalista. Em imagens que acompanham sua crítica, fica claro que o planejamento falhou ao permitir que estruturas de energia bloqueassem completamente a passagem nas calçadas, expondo a precariedade da execução da obra.
Ao concluir sua reflexão sobre o agora entregue elevado, Altino Machado questiona o que se pode esperar de uma gestão que trata a cidade como cenário para “gestos performáticos”. Para o jornalista, o elevado da AABB consolida uma metáfora preocupante: a de uma cidade onde o marketing político vale mais do que o planejamento técnico e o respeito à segurança da população.
