Voltar para si não é egoísmo — É sobrevivência. E também é recomeço

Enrico Pierro, para o Notícia Imediata

Voltar para si não é egoísmo — É sobrevivência. E também é recomeço
Publicado em 29/05/2025 às 8:13

A sair de um lugar que você nem percebeu que entrou.
A se reconhecer depois de meses — ou anos — sendo o que esperavam de você.
A notar que, em algum ponto do caminho, você se perdeu de si… e nem sabe mais onde foi parar.

Não existe manual para isso.
Ninguém te avisa que voltar para si pode doer tanto quanto partir.
Que haverá culpa, medo, saudade até daquilo que você fingia ser.
Que até as versões que te machucaram deixam um conforto estranho —
o conforto de saber quem você era, mesmo que aquilo fosse só um rascunho malfeito.

Voltar é desconfortável.
É abrir gavetas que você fechou com pressa.
É ouvir a própria voz depois de anos falando apenas o que o outro queria ouvir.
É olhar no espelho e não se reconhecer —
mas, ainda assim, escolher ficar.
Escolher se esperar.
Escolher se reconstruir, mesmo sem ter certeza de que vai dar certo.

Ninguém fala que, às vezes, o caminho de volta é mais longo que a ida.
Que vai ter tropeço, recuo, dias em que parece que você está voltando para lugar nenhum.
Mas ainda assim… é para ir.
É para continuar.

Porque lá na frente existe um ponto onde a dor desacelera.
Onde o peso diminui.
Onde a vida começa a caber de novo no peito.

E talvez seja isso que significa voltar:
não ser quem você era antes,
mas ser quem você precisa ser agora.

Com mais cuidado.
Com mais verdade.
Com mais espaço para você habitar — em paz — dentro de si.

@enricopierroofc