Polícia descarta homofobia em caso de gays achados mortos decapitados e com corações arrancados no Acre

Marcos Dione, do Notícia Imediata

Polícia descarta homofobia em caso de gays achados mortos decapitados e com corações arrancados no Acre
Publicado em 29/05/2025 às 15:32

A Polícia Civil do Acre descartou, até o momento, a hipótese de crime motivado por homofobia no caso da execução brutal de dois jovens encontrados mortos, decapitados e com os corações arrancados, em uma área de mata em Cruzeiro do Sul. O crime, que chocou o estado e repercutiu nacionalmente, segue sendo investigado como ação de um grupo criminoso que atua com o chamado “tribunal do crime”.

As vítimas foram identificadas como Thiago Silva e Rian Barroso e Brito, ambos de 24 anos. Os corpos foram encontrados na tarde de quarta-feira (29), enterrados em covas rasas, com claros sinais de tortura. Segundo a perícia, além de terem sido decapitados, os dois jovens tiveram as gargantas cortadas e os corações arrancados.

Apesar de ambos serem homossexuais, o delegado responsável pelo caso afirmou que as mortes não têm relação com a orientação sexual das vítimas. As investigações apontam que Thiago teria sido julgado e condenado por supostos furtos de fios de cobre e um aparelho de ar-condicionado de um posto de saúde, enquanto Rian foi acusado, sem provas até o momento, de envolvimento em um caso de abuso sexual contra uma criança.

“O que motivou as execuções, segundo os suspeitos, foram essas acusações. A questão da homossexualidade deles não tem ligação com os crimes”, explicou o delegado em entrevista à imprensa local.

Até agora, três pessoas foram presas, dois adolescentes, que serão submetidos a medidas socioeducativas, e um adulto, autuado em flagrante, que permanece à disposição da Justiça. As forças de segurança continuam em diligência para identificar e capturar outros possíveis envolvidos.

O caso reacende o debate sobre o avanço do poder das facções criminosas em regiões de fronteira e o uso de métodos cruéis para aplicar “punições” à margem da lei. A Polícia Civil reforça que qualquer denúncia pode ser feita de forma anônima, e que a colaboração da população é essencial para o combate ao crime organizado.