Na Câmara, vereador André Kamai critica gestão Bocalom e defende trabalhadores da Educação que seguem em greve
Marcos Dione, do Notícia Imediata

Durante a sessão desta terça-feira (27) na Câmara Municipal de Rio Branco, o vereador André Kamai (PT) se posicionou de forma firme em defesa dos profissionais da Educação em greve. Segundo ele, a paralisação foi motivada pela ausência de diálogo entre a Prefeitura e a categoria, o que acabou gerando insatisfação generalizada.
“Esse movimento não surgiu do nada. A greve é resultado direto da recusa da Prefeitura em sentar à mesa com os trabalhadores. Tentar pintar isso como uma manobra política é desrespeitar a realidade das escolas e de quem nelas trabalha”, declarou Kamai.
O parlamentar criticou duramente o prefeito Tião Bocalom (PL), que tem insistido em atribuir à greve um viés político-partidário. Para Kamai, esse tipo de discurso ignora as dificuldades enfrentadas no cotidiano escolar. “Quem conhece a rotina nas escolas sabe muito bem o que acontece: faltam itens básicos, desde merenda até materiais pedagógicos. E o funcionalismo acumula três anos sem qualquer correção salarial”, afirmou.
Kamai revelou ainda que muitos servidores estão custeando com recursos próprios a compra de itens de higiene e limpeza, não apenas para uso pessoal, mas também para atender as crianças. “É uma situação alarmante. Há relatos de professores levando papel higiênico e sabão de casa. Isso é inaceitável e envergonha qualquer gestor público responsável”, disse.
O vereador reforçou a necessidade de que a Prefeitura reabra imediatamente o canal de negociação com os profissionais da Educação. Para ele, a Câmara Municipal tem o dever de agir. “Nosso papel é acompanhar, mediar e exigir ações concretas. Não podemos nos omitir diante de um pedido de socorro tão claro da categoria”, pontuou.
Além da greve, Kamai chamou a atenção para a preocupação crescente entre os servidores com uma possível reforma na Previdência Municipal sendo elaborada sem consulta ao Legislativo ou à própria categoria.
“Há um receio legítimo de que estejam preparando mudanças profundas sem qualquer transparência. Se a Previdência está enfrentando dificuldades, é responsabilidade da atual gestão explicar as causas — afinal, ela está há anos no comando. O que não vamos aceitar é um projeto de última hora que acabe penalizando aposentados e trabalhadores”, concluiu.
