De 1001 para 349: Bocalom recua em promessa de casas populares e só entregará unidades viabilizadas por Lula
Marcos Dione, do Notícia Imediata

O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PL), conhecido por suas promessas grandiosas, volta a protagonizar mais um episódio de frustração pública. Após afirmar repetidamente que entregaria 1001 casas populares em um único dia, o gestor agora admite que, até o fim do seu mandato, apenas 349 unidades habitacionais serão entregues — e ainda assim, graças ao governo federal, comandado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem Bocalom faz dura oposição.
As casas, que integram o Conjunto Habitacional Cidade do Povo, fazem parte do programa Minha Casa, Minha Vida, relançado por Lula após ter sido desidratado nos últimos anos. A liberação de recursos e a retomada das obras foram possíveis graças a repasses da União, e não a ações diretas da prefeitura de Rio Branco.
A fala do prefeito sobre o “dia histórico” em que entregaria todas as 1001 casas virou meme nas redes sociais e símbolo do descompasso entre discurso e realidade. Agora, após ser reeleito, Bocalom tenta minimizar o estrago político da promessa descumprida, adotando um tom mais comedido sobre os prazos e metas.
Nos bastidores, aliados do prefeito admitem que o marketing em torno das “1001 casas” foi um erro estratégico, especialmente diante da dependência da gestão municipal dos programas federais que o próprio Bocalom critica abertamente.
Moradores de áreas de risco, que esperavam ser beneficiados, se dizem decepcionados com o atraso nas entregas e cobram explicações concretas. Para muitos, o caso escancara como a política de habitação da capital tem sido conduzida mais por discursos do que por resultados.
Enquanto isso, as 349 casas prometidas para 2026 já carregam o selo de “obra do governo Lula” — algo que, para um prefeito declaradamente antipetista, soa como uma ironia do destino.
