Ministério Público pede abertura de inquérito após falas preconceituosas de Assúria Mesquita contra acreanos

Marcos Dione, do Notícia Imediata

Ministério Público pede abertura de inquérito após falas preconceituosas de Assúria Mesquita contra acreanos
Foto: Redes Sociais
Publicado em 10/04/2025 às 18:52

O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por meio da Promotoria Especializada de Defesa dos Direitos Humanos e da Cidadania, instaurou uma notícia de fato criminal e requisitou à Polícia Civil a abertura de inquérito para investigar os comentários discriminatórios feitos pela estudante de Medicina Assúria Mesquita, de 20 anos, nas redes sociais. A jovem é filha do atual secretário de Indústria, Ciência e Tecnologia do Acre, Assurbanípal Mesquita.

As postagens de Assúria na rede social “X” (antigo Twitter), onde ela afirmou sentir “asco dos acreanos” e classificou o povo do estado como “seboso e ignorante”, geraram revolta na população e repercutiram fortemente na imprensa local e nacional. A conduta da estudante foi amplamente criticada, incluindo por entidades da área médica, como o Sindicato dos Médicos do Acre (Sindmed-AC), que classificou as falas como ofensivas e pediu punição exemplar.

De acordo com o MPAC, as declarações podem ser enquadradas como crime de racismo, com base na Lei nº 9.459/97, que prevê penalidades para atos de discriminação ou preconceito por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. O entendimento segue jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que reconhece como racismo manifestações que ofendem brasileiros com base em sua origem regional.

“O objetivo da instauração do inquérito policial é apurar quais foram as circunstâncias que essa pessoa praticou esses xingamentos contra os acreanos, e quais foram as motivações, as circunstâncias e as condições que ela praticou a fala, além de apurar se configura crime de xenofobia”, destacou o promotor de Justiça Thalles Ferreira.

A Promotoria solicitou que o inquérito seja instaurado em um prazo improrrogável de até dez dias.

Diante da repercussão, Assúria Mesquita usou as redes sociais para pedir desculpas públicas. Em nota, afirmou estar arrependida e disse que não teve a intenção de ofender. “Sou profundamente grata por ser acreana”, declarou a estudante, reconhecendo que suas palavras foram equivocadas.

O pai da jovem, o secretário Assurbanípal Mesquita, também veio a público pedir perdão e afirmou que a família não compactua com as falas da filha e que a situação foi tratada com seriedade. “Conversamos longamente com ela, que está verdadeiramente arrependida”, disse.

O caso segue sendo acompanhado por autoridades e pode levar a consequências disciplinares, tanto na esfera judicial quanto dentro da Universidade Federal do Acre (Ufac), onde a estudante está matriculada no curso de Medicina.

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