Perseguições e atraso na licitação agravam situação do transporte coletivo na capital, diz ex-sindicalista

Redação Notícia Imediata

Perseguições e atraso na licitação agravam situação do transporte coletivo na capital, diz ex-sindicalista
Foto: Reprodução Folha do Acre
Publicado em 09/04/2025 às 17:18

A crise no transporte coletivo de Rio Branco voltou ao centro das atenções nesta quarta-feira (9), após denúncia feita pelo ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes e Cargas no Acre (SINTTPAC), Francisco Leite Marinho, durante sessão na Câmara Municipal. Segundo ele, trabalhadores da empresa Ricco Transportes, responsável pela operação dos ônibus na capital, estariam sendo alvo de perseguições e retaliações por tentarem reivindicar direitos trabalhistas.

Marinho relatou ter sido demitido sem justa causa pouco depois de anunciar sua intenção de disputar novamente a presidência do sindicato. A decisão da empresa, segundo ele, teria motivação política. “Foi uma retaliação clara. Com a demissão, perco o vínculo necessário para concorrer. É um cenário de perseguição institucionalizada”, afirmou o ex-dirigente, que ocupou a tribuna popular para apresentar sua denúncia.

De acordo com Marinho, o ambiente entre os rodoviários é de medo. “Há uma paralisação por conta do atraso salarial, mas muitos têm receio de participar. A ordem velada é: quem reclamar, está fora”, afirmou. A situação estaria agravando o colapso no sistema, que já sofre com frota reduzida, ônibus antigos e recorrentes atrasos.

Além das denúncias, Marinho cobrou que a prefeitura avance com a licitação definitiva do sistema de transporte, que está parada desde que a Ricco assumiu, em caráter emergencial, há mais de três anos. “Não é razoável que uma empresa atue nesse modelo por tanto tempo, sem concorrência e sem garantias mínimas para o trabalhador”, criticou. Segundo ele, abrir o sistema para outras empresas pode estimular a concorrência, melhorar o serviço e proteger os direitos dos funcionários.

Em resposta, o vereador Rutênio Sá (PP), líder do prefeito Tião Bocalom na Câmara, reconheceu que o edital de licitação ainda não avançou. Segundo ele, desentendimentos técnicos entre a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (RBTrans) e a Comissão de Licitação têm atrasado o processo. “O prefeito tem cobrado agilidade, mas a falta de alinhamento entre os setores travou a publicação do edital. Vamos intermediar para que isso se resolva”, afirmou o parlamentar.

A população, por sua vez, continua sofrendo com um serviço precário e instável. O sistema, operado por um contrato emergencial desde 2021, enfrenta críticas constantes pela baixa oferta de veículos — muitos deles com mais de uma década de uso — e pela insatisfação generalizada dos usuários.

Enquanto isso, trabalhadores e passageiros seguem à espera de um transporte público eficiente, justo e digno.