Eduardo Veloso: o deputado bolsonarista que renega as urnas, mas mira o Senado de olho no fundo partidário

Marcos Dione, do Notícia Imediata

Eduardo Veloso: o deputado bolsonarista que renega as urnas, mas mira o Senado de olho no fundo partidário
Publicado em 14/07/2026 às 8:51

O deputado federal Dr. Eduardo Veloso protagoniza uma das maiores contradições da política acreana recente. Logo após consolidar sua vitória em 2022, e antes mesmo de colocar os pés na Câmara Federal para tomar posse de seu mandato, o parlamentar bolsonarista declarou publicamente que não confiava nos resultados das urnas eletrônicas. O posicionamento gerou forte ironia nos bastidores, visto que ele questionava a legitimidade do mesmíssimo sistema que validou sua própria eleição e lhe garantiu o foro privilegiado e o subsídio parlamentar em Brasília.

Agora, de olho no próximo pleito, Veloso ensaia um voo ainda mais ambicioso e controverso ao articular sua candidatura ao Senado Federal. A movimentação é vista com extremo ceticismo no cenário político do Acre, já que o deputado carece de base popular robusta e de alianças consolidadas para viabilizar um projeto majoritário desse porte. Sabendo que suas chances de vitória são praticamente nulas diante de concorrentes com maior capital político, a investida se desenha muito mais como uma estratégia ensaiada do que como uma disputa real pelo voto do cidadão.

Nos bastidores políticos, o consenso é de que o verdadeiro combustível dessa candidatura sem futuro é puramente financeiro: o acesso à generosa verba do fundo eleitoral e partidário. Candidaturas ao Senado recebem repasses milionários das direções nacionais das legendas, recursos que dão enorme poder de barganha aos candidatos, financiam contratos de marketing e mantêm a estrutura política pessoal ativa. Para Veloso, sustentar um projeto majoritário artificial funciona como um passaporte seguro para gerenciar uma volumosa fatia de dinheiro público.

Essa estratégia escancara um oportunismo que incomoda até mesmo setores da sua própria base aliada. Ao desacreditar o sistema de votação eletrônico para inflar a retórica ideológica nas redes sociais, mas não hesitar em fazer uso irrestrito dos bilhões de reais distribuídos por esse mesmo sistema democrático, o parlamentar demonstra que seu discurso de indignação tem limites bem definidos. A coerência é rapidamente deixada de lado quando o que está em jogo é o acesso privilegiado ao caixa das siglas partidárias.

No fim, a insistência do Dr. Eduardo Veloso em uma vaga inviável ao Senado reduz o debate político e o processo democrático a um mero balcão de negócios. O eleitor acreano assiste à construção de uma campanha de fachada, que não busca debater soluções reais para o desenvolvimento e o isolamento do estado, mas sim garantir a manutenção de privilégios e recursos financeiros para um grupo restrito. O projeto, portanto, já nasce esvaziado de votos, mas extremamente lucrativo para quem o comanda.

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