Quando foi relator do orçamento no governo de Bolsonaro, Márcio Bittar não destinou um centavo para a BR-364

Redação Notícia Imediata

Quando foi relator do orçamento no governo de Bolsonaro, Márcio Bittar não destinou um centavo para a BR-364
Publicado em 31/05/2026 às 13:06

A situação de precariedade da BR-364 no Acre é um drama antigo e doloroso que atinge as pessoas que dependem visceralmente dessa rodovia para o abastecimento, saúde e livre circulação. Recentemente, o senador bolsonarista Márcio Bittar voltou a usar suas redes para criticar de forma veemente as condições da estrada, apontando o dedo de forma exclusiva para as gestões passadas e presentes do Partido dos Trabalhadores (PT). No entanto, ao tentar transformar a lama e os buracos em palanque puramente ideológico, o parlamentar esbarra em um obstáculo intransponível: os fatos da sua própria biografia política.

A retórica de Bittar desmorona quando confrontada com o período em que ele gozou do maior poder orçamentário da história recente do país. Durante o mandato do ex-presidente criminoso e presidiário Jair Bolsonaro, o senador eleito pelo povo acreano foi alçado ao posto de relator-geral do Orçamento da União para o ano de 2021. Nessa posição, ele detinha a “caneta de ouro”, controlando bilhões de reais em emendas e distribuições de recursos federais. Era a oportunidade de ouro para carimbar e blindar os investimentos necessários para a reconstrução definitiva da BR-364, mas a prioridade política do parlamentar seguiu rotas bem distantes das reais necessidades de infraestrutura do seu próprio estado.

O paradoxo é gritante: enquanto esteve no controle direto dos cordões do cofre da Viúva, Márcio Bittar não destinou um centavo sequer de suas emendas de relator especificamente para a manutenção estrutural crônica da BR-364. Os recursos que poderiam ter transformado a realidade da rodovia foram pulverizados em outras frentes de interesse político e parcerias municipais que garantiam retornos eleitorais mais imediatos. Ao deixar o principal cordão umbilical do Acre desassistido no momento em que tinha o poder de salvá-lo, o senador assinou, por omissão, a perpetuação do isolamento e do perigo que os motoristas enfrentam diariamente.

Agora, o discurso de indignação que o senador adota soa como uma clássica manobra de distração e hipocrisia política. Atribuir a culpa do colapso da rodovia apenas às gestões petistas é um malabarismo retórico que ignora os quatro anos de governo Bolsonaro e, mais grave ainda, a sua própria negligência como relator. Criticar a falta de asfalto hoje, sem assumir a responsabilidade por ter fechado a torneira dos recursos ontem, é subestimar a inteligência do eleitor acreano, que sofre na pele as consequências do descaso generalizado e da falta de planejamento contínuo.

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