Dona da Boas Novas e odiada pelos crentes, deputada Antônia Lúcia completa dois anos sem dar as caras na Marcha para Jesus

Marcos Dione, do Notícia Imediata

Dona da Boas Novas e odiada pelos crentes, deputada Antônia Lúcia completa dois anos sem dar as caras na Marcha para Jesus
Publicado em 31/05/2026 às 11:28

A ausência da deputada federal e empresária das comunicações Antônia Lúcia na edição deste ano da Marcha para Jesus, em Rio Branco, confirmou o distanciamento definitivo da parlamentar com o principal evento público da comunidade evangélica acreana. Historicamente ligada às lideranças religiosas do estado, Antônia Lúcia preferiu não comparecer ao ato. A decisão marca um contraste evidente com o passado, quando a empresária utilizava sua forte influência e estrutura de comunicação para impulsionar a mobilização nas ruas.

Anos atrás, a deputada não era apenas uma participante regular, mas uma das principais articuladoras e organizadoras do evento, que sempre carregou um forte peso político no Acre. Suas emissoras de rádio e canais de mídia desempenhavam um papel crucial na convocação dos fiéis e na logística da Marcha, consolidando sua imagem como uma das maiores referências do segmento evangélico na política local. O evento servia como uma vitrine de sua força e de sua aliança com as bases conservadoras.

No entanto, o cenário começou a mudar drasticamente após a parlamentar romper publicamente com o bolsonarismo, movimento que mantém uma hegemonia expressiva entre os cristãos do estado. Ao se posicionar a favor de pautas e ações do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Antônia Lúcia atraiu a fúria de antigos aliados e de grande parte do eleitorado religioso. A transição política foi vista como uma traição ideológica por grupos mais radicais, isolando a deputada de seus antigos redutos eleitorais.

A rejeição a essa mudança de postura atingiu níveis alarmantes e violentos nas redes sociais e nos bastidores políticos. Extremistas e eleitores evangélicos insatisfeitos chegaram a proferir ataques hostis na internet, com relatos de pessoas que desejaram abertamente a morte da parlamentar em decorrência de seu alinhamento com a gestão federal do PT. Esse clima de hostilidade transformou o que antes eram ambientes de acolhimento para a deputada em palcos de grande risco político e rejeição popular.

Diante desse racha profundo, o não comparecimento de Antônia Lúcia à Marcha para Jesus em Rio Branco é visto por analistas locais como uma estratégia de preservação e o reflexo de uma nova realidade política. Sem o apoio unânime da bancada evangélica e de suas antigas bases territoriais, a empresária agora recalcula seus passos políticos no Acre, buscando consolidar novos caminhos enquanto lida com as pesadas sequelas da polarização que dividiu o eleitorado religioso no estado.

Tópicos