Balcão de negócios da fé: em Rio Branco, igreja AD Brás transforma evento de mulheres em Curral Eleitoral

Redação Notícia Imediata

Balcão de negócios da fé: em Rio Branco, igreja AD Brás transforma evento de mulheres em Curral Eleitoral
Publicado em 17/05/2026 às 12:39

Na noite deste sábado (16), o espaço Maison Borges, em Rio Branco, foi palco de uma demonstração explícita de como a estrutura eclesiástica tem sido utilizada como moeda de troca política. O que deveria ser um encontro de cunho espiritual da Confederação das Irmãs Beneficentes Evangélicas (CIBE), reunindo mais de mil mulheres, foi convertido pela Assembleia de Deus (AD) Brás no Acre em um palanque de direcionamento de votos, escancarando a comercialização do rebanho por parte de suas lideranças.

Durante o evento, a cúpula da igreja declarou apoio formal à pré-candidatura do advogado Júnior Feitoza (Democracia Cristã) ao Senado Federal nas eleições de outubro. O arranjo que sela essa barganha política traz como primeira suplente de Feitoza a pastora Daniele Souza. Ela é ninguém menos que a presidente da própria CIBE no estado e esposa do pastor Wagner Felipe, que também usará a máquina religiosa para tentar uma vaga como deputado estadual.
A engrenagem que transforma a devoção dos fiéis em cifras eleitorais ficou evidente na reação do próprio pré-candidato ao Senado. Em declaração ao Portal Acre, Feitoza celebrou o endosso da máquina pastoral e tratou o grupo de mulheres abertamente como um bloco de votos valioso a ser capitalizado em sua campanha:

“Recebo com muito júbilo e alegria, me sinto muito honrado e grato a Deus, em receber um apoio desse tamanho, o que fortalecerá sem dúvida nossa pré-candidatura ao Senado, ainda mais que esse grupo de mulheres é liderado pela pastora Daniele Souza, visto que lidera milhares de mulheres em todo o Estado, é uma liderança feminina a frente do seu tempo, o Acre ainda ouvirá falar muito desse nome”, afirmou.

A fala do político expõe o pragmatismo de pastores que utilizam a influência espiritual para negociar o voto dos fiéis em troca de vantagens e espaços de poder, como a suplência garantida à esposa do pastor. A transação se completou na mesma noite com o anúncio de apoio ao pastor Wagner Felipe, que já foi deputado estadual de 2019 a 2022 e agora tenta retornar à Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) surfando na mesma onda de fisiologismo religioso.
Ao misturar a liderança eclesiástica com o loteamento de candidaturas em um evento beneficente, a AD Brás afronta o Estado laico e a própria liberdade individual de seus membros. A transformação do púlpito em balcão de negócios eleitorais deixa claro que, para certas lideranças pastorais, o rebanho deixou de ser um grupo de cidadãos com fé e passou a ser tratado como mera mercadoria de troca na mesa dos partidos políticos.

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