Sérgio Petecão é o único senador do Acre a não votar em projeto que criminaliza a misoginia
Marcos Dione, do Notícia Imediata

Enquanto o Senado Federal avançava na proteção aos direitos das mulheres, a bancada do Acre chamou a atenção por uma ausência no painel: Sérgio Petecão (PSD) foi o único senador do estado a não registrar voto na aprovação do projeto que criminaliza a misoginia e a equipara ao crime de racismo. Embora constasse como presente na sessão de terça-feira (24), o parlamentar não participou da contagem oficial, deixando seu posicionamento em aberto em uma votação de grande repercussão nacional.
A assessoria de Petecão justificou a ausência de voto informando que o senador acompanhava a sessão de forma remota. No momento crucial da votação, ele estaria concedendo uma entrevista a um veículo de comunicação local. O episódio ocorre em um período estratégico para o parlamentar, que já se movimenta como pré-candidato à reeleição e precisará equilibrar sua imagem diante do eleitorado conservador e das demandas por direitos humanos.
Diferente de Petecão, os outros dois representantes acreanos marcaram presença e votaram a favor da matéria. Alan Rick (União Brasil), pré-candidato ao Governo do Estado, e Márcio Bittar (PL), que também busca a reeleição, manifestaram apoio direto à nova legislação. O posicionamento favorável da dupla reflete a tentativa de alinhar a bancada estadual a pautas de proteção social que ganham força no Congresso Nacional.
O projeto aprovado é rigoroso e prevê penas de 2 a 5 anos de reclusão para atos de discriminação ou preconceito contra a mulher. Ao ser inserida na Lei do Racismo, a misoginia passa a ser tratada com maior severidade, tornando discursos de ódio e aversão ao gênero feminino crimes inafiançáveis e imprescritíveis em determinadas circunstâncias, retirando qualquer caráter de “normalidade” dessas condutas.
Com o aval do Senado, o texto agora retorna para a Câmara dos Deputados para a etapa final.
