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Adolescente autista executado na Cidade do Povo era primo de ex-deputado e dono da Pedra Norte
Marcos Dione, do Notícia Imediata

A investigação sobre o duplo homicídio ocorrido na noite da última quinta-feira (12), em Rio Branco, trouxe à tona um detalhe que amplia a repercussão do caso. Uma das vítimas, Gustavo Gabriel Bezerra Soster, de 17 anos, conforme apuração do Portal Notícia Imediata, era primo de segundo grau do influente empresário e ex-deputado Waldomiro Soster, proprietário do Grupo Pedra Norte.
O conglomerado liderado por Waldomiro é um dos maiores do estado, com forte atuação em postos de combustíveis, exploração de pedreiras e grandes obras de construção civil. A notícia da morte do jovem Gustavo, que possuía Transtorno do Espectro Autista (TEA), gerou comoção entre o empresariado local devido aos laços familiares com o ex-parlamentar.
Gustavo e seu colega, Daniel Dourado de Souza, de 22 anos, foram vítimas de uma emboscada enquanto exerciam suas funções laborais. Eles trabalhavam em uma cerâmica e foram ao Conjunto Habitacional Cidade do Povo, na Rua Geraldo Leite, para realizar uma entrega de tijolos numa obra de construção de novas casas no bairro.

De acordo com o relatório policial:
- Abordagem: Quatro funcionários estavam no local quando foram cercados por integrantes de uma facção criminosa.
- Vistoria de Celulares: Os criminosos revistaram os aparelhos das vítimas. Ao encontrarem fotos que supostamente ligariam o irmão de Daniel a uma organização rival, o grupo decidiu liberar dois trabalhadores e manter Gustavo e Daniel sob custódia.
- Execução: Os dois jovens foram levados para uma área de mata nos fundos da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) e executados com diversos tiros, inclusive na cabeça.
Apesar do parentesco com um dos homens mais bem-sucedidos da região, Gustavo era descrito por familiares como um jovem humilde e esforçado. Mesmo com o diagnóstico de TEA e a necessidade de medicação controlada, ele buscava independência através do trabalho na cerâmica para auxiliar no sustento da família.
A área foi isolada pelo 2º Batalhão da Polícia Militar para os trabalhos da perícia criminal e os corpos foram encaminhados ao IML. A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) agora investiga se os criminosos tinham conhecimento da linhagem familiar da vítima ou se o crime foi estritamente motivado pela guerra entre facções e o conteúdo encontrado nos celulares.
