Filha de Bocalom diz que saída dele do PL foi ‘vontade de Deus’, mas na verdade foi articulação de Marcio Bittar
Marcos Dione, do Notícia Imediata

A saída do prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, do Partido Liberal (PL) não foi “vontade de Deus”, como chegou a ser mencionado em manifestações públicas após o anúncio. A definição ocorreu por articulação política interna da legenda, liderada pelo senador Marcio Bittar, presidente estadual do partido. Nos bastidores, a pré-candidatura ao Governo do Acre já enfrentava resistência dentro da sigla.
Na última terça-feira (3), Bocalom comunicou que não será candidato ao governo pelo PL nas eleições de 2026. Segundo ele, a decisão foi informada pelo presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, após diálogo com Márcio Bittar e com o senador Rogerio Marinho. A direção partidária optou por não aprovar internamente o nome do prefeito como pré-candidato.
Apesar de mensagens publicadas nas redes sociais associarem o episódio à “vontade de Deus”, o cenário político demonstra que a decisão foi fruto de estratégia e alinhamento partidário. Articulações eleitorais envolvem negociações, composições e interesses políticos, não intervenções divinas. Deus não participa de deliberações partidárias ou definições estratégicas de candidaturas.
Após o anúncio, Bocalom compartilhou uma mensagem enviada por sua filha, que afirmou que, se a candidatura não se concretizou pelo PL, “foi feita a vontade de Deus”. A manifestação teve tom de apoio e conforto familiar, mas a realidade política aponta que o desfecho foi resultado direto das decisões tomadas pela cúpula da legenda.
Fontes políticas indicam que Márcio Bittar teve papel determinante na condução do processo interno que resultou no veto à pré-candidatura. A movimentação faz parte da estratégia eleitoral do grupo para 2026, consolidando a linha de definição partidária.
Mesmo deixando o PL, Bocalom declarou que seguirá apoiando Márcio Bittar e o governador Gladson Cameli. O episódio evidencia que, no campo político, decisões são tomadas por lideranças e acordos internos, e não por desígnios divinos.

